17 de set de 2012

Trocando o velho pelo novo com a primavera!





Trocando o velho pelo novo com a primavera!


É chegada a nossa querida primavera! Época do desabrochar das flores, do clima mais ameno (ok... nem tanto assim, mas de qualquer forma temos a predominância de um clima mais agradável) e com ela um tempo mais seco, pois a Terra está mais próxima do Sol.

Seguindo um principio básico do Ayurveda, o Ritucharya, é interessante para a nossa saúde adaptarmos nossos hábitos de vida e alimentação de acordo com a mudança das estações. Afinal, este milenar conhecimento, assim como outras linhas orientais de terapias alternativas, compreende que a natureza e os ciclos da terra tem uma influência direta na nossa saúde.

Por exemplo, no inverno a Terra está mais distante do Sol,  e tende a ficar mais úmida e fria, e com isso nossa capacidade de digestão também é diminuída; porque de alguma forma precisamos reter mais energia no corpo para enfrentar as quedas de temperatura. Esta capacidade de digestão é chamada de Agni, nosso fogo digestivo,e com ele diminuído tudo aquilo que ingerimos que não somos capazes de metabolizar (os excessos), se acumulam em forma de toxinas no corpo- AMA.  E isso não acontece somente com os alimentos mas com tudo aquilo que os nossos órgãos dos sentidos são capazes de captar.

Então este "lixo" acumulado no inverno pode ser removido com algumas técnicas simples, adquirindo alguns novos hábitos (literalmente trocando o velho pelo novo) agora na primavera! Onde o Sol esta mais próximo da Terra, facilitando a diluição deste Kapha acumulado na estação anterior. Um período excelente para realizarmos grandes transformações na nossa conduta, livrando-nos de velhos condicionamentos. São caminhos a serem escolhidos!

Por outro lado, é um período também onde todas as alergias brotam, assim como as flores que desabrocham. As rinites alérgicas e coriza são bem comuns neste período, mas podemos aliviar seus sintomas com algumas mudanças simples.

De uma maneira geral o Ayurveda indica uma dieta de primavera morna e com quantidade não excessiva; deve-se aumentar a ingestão dos sabores picante e adstringente, moderar o sabor doce e salgado e evitar os sabores amargo, ácido e excessivamente doce. Alimentos muito frios também devem ser evitados. Cortar todos os laticínios e farinhas brancas, pois elas aumentam o acúmulo do muco.

Aumentar o uso de especiarias como pimenta-do-reino e malagueta, semente de mostarda, gengibre, cúrcuma, coco, cardamomo, cominho, canela, coentro, manjericão. Usar freqüentemente chás de ervas digestivas, como erva doce e hortelã, com gengibre e/ou canela e chás adstringentes, como dente-de-leão, camomila, jasmin, lavanda, morgango, hibiscus, mate. 

É um bom período para movimentar o corpo, aumentando o calor interno e secando ainda mais o Kapha. Principalmente pela manhã! Acordar um pouco antes do Sol nascer e evitar dormir entre 6h e 10hs da manhã, pois é um período onde a energia Tamásica (letargia, sonolência, inércia, preguiça) esta predominante! E também nos ajuda a perder aqueles quilos extras trazidos pela hibernação invernal! 

Precisamos nos habituar a acordar um pouco antes do nascer do Sol, e absorver esta energia trazida pelo Astro Rei.

Tratamentos de limpeza dos seios da face com o uso do Jala Neti, Pranayamas (especialmente Kapalabhati), dietas, jejuns, e massagens desintoxicantes são ótimas para serem realizadas neste período!

Vamos remover aquilo que não nos serve mais, abrindo espaço para o novo! 

Tenha uma linda primavera!


16 de ago de 2012

Yogatransporte





Yogatransporte

Sim, o nome é este mesmo! Yogatransporte! A pequena viagem que fazemos todos os dias na nossa prática de Yoga.

Ontem uma aluna me disse: "Eu nunca fui à Índia, hoje não posso fazer tudo que desejo pois meu marido não entenderia, então sinto esta necessidade de fazer Yoga todos os dias, onde me conecto com tudo aquilo que faz sentido pra mim."

Infelizmente uma grande parcela das pessoas hoje, tem algum tipo de infelicidade, ou mesmo de insatisfação; seja no trabalho, nas relações amorosas ou na falta dela. Em alguma área de nossa vida pode haver algo que não faz muito sentido. Mas por uma questão de sobrevivência precisamos arregaçar as mangas, baixar a cabeça e encarar este cenário todos os dias.

Mas e se houvesse um lugar onde tudo faz sentido? Onde tudo parece fluir naturalmente, onde nos sentimos fazendo parte de algo maior... e se este lugar não estiver na Índia, se for dentro de nós mesmo? É possível?

É como se durante uma longa jornada pudéssemos abrir uma janela e respirar. O Yoga para mim tem este efeito, embora trabalhe com isso todos os dias, na minha prática pessoal é o momento em que eu abro esta janela e olho para um mundo totalmente particular, onde eu posso ser quem eu quiser, até eu mesma! Posso trazer a imagem dos lugares lindos que já visitei, posso sentir os aromas, a música e recriar qualquer atmosfera que me traga uma sensação gostosa, de algo que vivi mas que hoje não faz parte do meu presente.

Sempre busquei na minha vida ter coragem para seguir meu coração. Mas entendo que as vezes não é possível largar tudo e sair em uma viagem em busca de alguma coisa, quem as vezes nem sabemos direito o que é. Muitas vezes é preciso ter calma, e descobrir nestas pequenas arestas uma forma de ser feliz com aquilo que é possível, com o que está disponível e acessível naquele momento. Isso é um treino, que nos conduz para uma plenitude mais verdadeira.

Íshvara Pranidhana, a entrega, não necessariamente deve ser interpretada como um deixar-se levar, e assim o universo se encarrega; mas sim de aceitar aquela pequena parcela de não-controle que muitas vezes queremos dominar. Precisamos ter uma parcela de maluquice, aquela leveza boba de acreditar que no fim tudo vai certo. Mesmo estando no meio do caos!

Se não for possível largar seu emprego e correr para as montanhas do Himalaya, acredite que mesmo dentro do seu quarto é possível fazer esta viagem. É uma questão de estado de espírito, de usar o poder da prática para diminuir o espaço entre aquilo que desejamos e o que realmente é possível. Até chegar o momento em que desejaremos somente aquilo que é realmente necessário, e assim, nos tornaremos plenamente realizados.

Sonhos são importantes, movem! Metas, objetivos, o desejo de se alcançar o que se busca. 

O ponto aqui é o que fazer até chegar lá? Como não sofrer demasiadamente nesta jornada? Como ter pequenos espaços de plena felicidade mesmo antes de atingir aquilo que determinamos como o nosso real objetivo?

Yogatransporte. Mergulhe na sua prática, transforme seu tapetinho no tapete mágico do Aladim e vá onde quiser! Mas depois volte, porque ainda temos muito trabalho pela frente!

Boa viagem!

30 de jul de 2012

Ah.. o amor!





Ahhh o amor...

Já algum tempo eu venho pensando sobre o tema, amor. E também procurando perceber em todas as fases da minha vida as diferentes formas e expressões de amor. O que me deixa um pouco triste, e também preocupada é perceber que muitas vezes nas relações, principalmente conjugais, o amor está um pouco adormecido. 

Quando digo adormecido, quero dizer que ele está presente, mas apenas não manifestado. O carinho, o afeto estão lá, mas a densidade de sentimentos como o ciúmes, a possessividade, insegurança trazem um peso tão grande que até o mais nobre dos sentimentos não tem força suficiente para ser despertado.

Hoje uma amiga muito querida, infelizmente terminou uma relação de quase dois anos, e me disse a seguinte frase: "Preciso encontrar um homem com alma feminina. Ou irei me abster das relações. Estou cansada do ciumes doentio e possessividade, além das grosserias verbais e de atitudes machistas."

Mas o que seria esta alma feminina que ela se refere. E porque apenas feminina. O homem em sua essência não pode manifestar docilidade e sensibilidade. Tenho o orgulho de dizer que tenho alguns amigos que realmente parecem ser mais sensíveis, e não só amigos, mas consigo reconhecer esta delicadeza em muitos outros seres.

O amor, prema, é um sentimento muito maior do que o elo que é criado entre duas pessoas. O amor puro e verdadeiro talvez não possa nascer entre seres humanos, e sim desenvolvido apenas entre os seres superiores que são perfeitos em sua forma e concepção.

Isso porque quem ama não é o corpo, é a alma. A alma é Sat Chit Ananda, consciência pura. Ela sim consegue gerar este amor puro. Mas como acessar esta alma vivendo em uma sociedade como a nossa. É possível agir a partir da nossa essência e fomentar o amor pela alma das outras pessoas? Existe tal pureza entre os mortais? Não passamos a vida tentando nos esconder atrás de tantos véus?

É nadar contra a maré?

Amar é apodera-se do outro? Que sentimento é este que foi nos ensinado que para provar que existe amor, é preciso exercer algum poder regulador sobre o outro? O respeito deveria ser imposto desta forma?

Uma ótima referência para este tema vem do conhecimento primordial do amor, e ninguém melhor para tratar deste assunto que o Bhakti-Yoga, o amor devocional. A diferenciação entre o mundo material e o mundo espiritual, pode explicar muito bem o porque destes apegos. Se estamos agindo no modo da ignorância, as ações são impensadas, queremos apenas satisfazer os desejos mais grosseiros do nosso ego. Grosseiros no sentido de rudimentares, densificados. A medida que vamos avançando, estudando e praticando os aspectos práticos desta filosofia, temos a oportunidade de ver as coisas com outros olhos. E de alguma forma elevando nosso sentimento e o que geramos nas outras pessoas. Se o corpo assim já não tem tanta importância, porque que eu iria me achar dono de alguém? Se o meu próprio corpo também não me pertence. É muito estranho e mesmo aterrorizante pensar desta forma, mas não seria muito mais simples se a gente conseguisse entender que o amor não prende, que o amor liberta. Porque a maioria das pessoas ainda não compreendeu isso?

Sendo homens ou mulheres, é essencial que a gente busque o desenvolvimento pessoal, e vejo que cada vez mais, as relações, de alguma forma funcionam melhor se existe esta conexão. Se ambos estão buscando crescer como indivíduos, e não apenas olhando no seu próprio umbigo e satisfazendo este ego imperfeito.

A pratica do Yoga ajuda muito, e não porque é bonito, ou porque está na moda fazer Yoga, e porque quereremos ficar com o corpo igual o da Madonna (que até era bonito.. mas hoje tenho minhas dúvidas) nós precisamos praticar Yoga porque queremos tornar o nosso mundo melhor, nem que seja apenas dentro do bairro onde a gente vive, ou no ambiente no qual estamos socialmente inseridos. Precisamos buscar um lugar mais harmônico e mais leve para se viver. O Yoga melhora as nossas relações!

Se a gente vai salvar o mundo, realmente eu não sei. Mas precisamos fazer a nossa parte! É como aquela velha metáfora do incêndio na floresta, onde todos os animais se mobilizaram para apagar aquele fogo imenso, e o elefante que jorrava litros de água com sua tromba nas labaredas, olha para o pequeno passarinho e diz: Vem cá seu passarinho, você acha que apenas com esta gotinha de água que você pode carregar, és capaz de apagar estas chamas imensas. E o passarinho sabiamente responde: Apagar eu não sei, mas estou fazendo a minha parte!

Então sejamos passarinhos nesta floresta em chamas. Vamos buscar uma forma de sentir mais amor pelas pessoas, e deixar um pouco de lado aquilo que só nos satisfaz, ou ao nosso ego, a nossa vontade de  sermos aceitos. Vamos tentar amar sem pedir nada em troca. E nas relações conjugais, que possamos ter a sorte de encontrar parceiros com esta “alma feminina” que ao meu ver nada mais é que uma pessoa com uma certa dose de sensibilidade e segurança de quem ser quem se é!

"Todos estes que aí estão,
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!"

Mario Quintana


4 de jul de 2012

Comer, comer!!!





Comer, comer!!!


A nutrição inicia-se na vida intra-uterina e prossegue do nascimento até o fim da vida. A vida é uma contínua busca por alimento, precisamos nos alimentar diariamente para manter nosso organismo funcionando satisfatoriamente. Da nutrição deriva a produção dos 3 doshas e dos 7 dhatus (tecidos). A saúde do corpo e da mente depende de uma boa nutrição.

Nossas células estão sempre em constante renovação: cabelos, unhas, pele, ossos, sangue; sempre há células nascendo e morrendo, e a matéria-prima fundamental é o alimento que ingerimos. De acordo com fisiologia ayurvedica, cada tecido do corpo, depende diretamente do bom funcionamento de todo o organismo; o resultado disso é um corpo mais saudável, e mais resistente às doenças. Precisamos estar sempre atentos ao nosso sistema imune, resfriados que não vão embora, ou que freqüentemente nos deixam abalados, é sinal de que alguma coisa está errada. E pode confiar que é na sua alimentação!

Segundo o Dr.Paulo de Tarso, no livro chamado Medicina Integrativa – A cura pelo equilíbrio; o risco de enfermidades é minimizado com a ingestão de oito a dez porções de frutas e legumes ao longo do dia (cada porção equivale ao volume de uma bola tênis). Essa é um ótima maneira de obter todas as vitaminas, sais minerais e micronutrientes que o corpo precisa diariamente.

O alimento é aquilo que nutre o corpo, a mente e o espírito. Cada pedaço de comida precisa ser digerido pelo organismo, caso contrário, os excessos serão transformados em toxinas, ou AMA, dando inicio a uma série de doenças. Neste caso, diferente do que é dito normalmente: Você é o que você come. Deveria ser substituído por: Você é aquilo que seu organismo é capaz de digerir!

Devemos compreender que comer é um ato sagrado, uma oferenda para aplacar nosso fogo interno (Jatharagni), por isso a refeição deve ser sacralizada e ritualizada e o alimento oferecido para Deus antes de ser ingerido.

Mas nem sempre levamos em consideração este aspecto sagrado da alimentação, e comemos apenas para matar a fome, ou como uma fonte de satisfação sensorial. O ato de cometer violência ao nos alimentarmos por exemplo, é apenas uma forma de mostrar a dominação sobre as outras formas de vida.

É claro que os vegetais, legumes e frutas também são sacrificados para nos servir de alimento, mas sabemos que o animal sofre, chora e descarrega a energia do pavor e do medo na carne que mais tarde consumimos. É uma questão de escolha e também de gosto, e isso, na minha humilde opinião não se discute.

Devemos consumir os alimentos adequados às nossas verdadeiras necessidades, preparados de forma adequada para potencializar suas qualidades, em ambiente apropriado, em companhia adequada, fazendo da refeição um ritual de agradecimento e louvor à Vida.

Os alimentos também afetam a nossa forma de pensar. É uma relação direta. Quando o alimento é puro, nossa mente é pura, e desenvolve a qualidade de SATWA, que representa clareza e equilíbrio. Uma dieta composta por carnes, ovos, alimentos muito condimentados, processados, ácidos, aumentam RAJAS na mente; pensamos demais, muita agitação, dificuldade de percepção e concentração.

Quando a dieta é composta por alimentos estragados, de gosto ruim, conservados por muito tempo, ou “requentados” aumentamos TAMAS na mente: a inércia, letargia e tristeza.

 Alho e cebola por exemplo são alimentos que promovem Rajas e Tamas na mente, enraízam mais fortemente a consciência no corpo e por isso são deixados de lado pelos Yogues.

Por isso, é aconselhável estarmos sempre conscientes no momento de fazer a escolha do que colocar no prato, refletindo e manifestando o autocuidado. É claro, com a nossa vida agitada, falta de tempo, nem sempre é possível rememorar todos estes aspectos, mas se começarmos por prestar mais atenção antes de dar a primeira garfada, muita coisa pode mudar!

Procure não comer sob emoções muito fortes, tristeza, raiva, angústia. Evite as reuniões-almoço! Falar excessivamente neste momento não vai resolver sua vida e lhe trará uma boa quantidade de gases. Quanto mais colorido seu prato, maior o número de nutrientes. E ingira somente o suficiente para saciar a fome, coma devagar e evite os líquidos, principalmente gasosos. São pequenas atitudes que refletem em uma boa saúde no corpo, pele e cabelos! Comer, comer: é o melhor para poder crescer!!!

Como sugestão, acrescente este pequeno mantra para antes das refeições, não leva nem um minutinho...

aham vaisvanaro bhutva dehamasritah
pranapanasamayuktah pacamyannam caturvidham

Residindo no corpo de todos os seres como o fogo digestivo, 
Unido ao sistema fisiológico, o Senhor digere todos os tipos de comida.


Namastê!



20 de jun de 2012

A Ciência à favor




A Ciência à favor


Dando seguimento ao último texto escrito, e na constante observação dos fatos do dia a dia, vamos um pouco mais além na teoria de receptor e emissor. Para os comunicadores de plantão, eu não estou me referindo as teorias de comunicação de massa, mas sim, na possibilidade de bebermos diretamente da fonte sem o uso de intermediários.

É muito comum que o árduo trabalho de cientistas venha a nos fornecer uma série de informações sobre aquilo que desconhecemos, não sabemos a causa, e muitas vezes nem as consequências. É um trabalho honrável, árduo, de pessoas que dedicam as suas vidas a descobrir as diversas expressões da natureza humana e o alivio de suas aflições.

Agora, é tão comum a gente se deparar com pessoas, que por uma certa falta de informação, ou mesmo por desacreditar em textos antigos, precisem provar teorias que já foram descritas há milênios, e comprovadas na prática ao longo dos anos.

Estava assistindo um programa na televisão fechada (mais especificamente Canal 20 da Net) e me deparo com uma entrevista de um físico (que não vou citar nomes) que veio a um recente congresso aqui no Rio Grande Sul, e trouxe consigo alguns estudos. A entrevistadora entusiasmada com aquela grande oportunidade, lhe faz a seguinte pergunta: Dr.Fulano, qual a “grande” novidade ou descoberta da ciência que o senhor trouxe para o evento? 

A “grande” descoberta foi a recente pesquisa realizada com monges budistas, onde eletrodos foram colados em suas cabeças para “provar” que durante a meditação, as ondas cerebrais entravam em uma frequência diferente, mais reduzida. A comum troca de impulsos entre os dois hemisférios direto e esquerdo diminuíam de intensidade; e em meditadores de longo prazo, ocorria um fenômeno chamado “neuroplasticidade” (quem quiser se aprofundar no assunto sugiro o Google, ou outro livro de neurociência...).

Realmente o assunto é muito interessante. De maneira alguma eu pretendo diminuir a relevância de um trabalho como esse. Que bom que a ciência moderna está abrindo os olhos para as terapias alternativas; inclusive levando estas ciências para dentro dos hospitais: área denominada de Medicina Integrativa. Tem dado excelentes resultados. É oferececido atenção especial, por meio de equipe multiprofissional, às pessoas que passaram pelo tratamento de câncer, restabelecendo a qualidade de vida destes pacientes.

Mérito do Dr.Andrew Weil, seu  trabalho pioneiro tem servido de referência para os sistemas de saúde no Brasil: propõe mudanças de dieta com base em alimentos capazes de reduzir o efeito das inflamações, retira completamente o uso das carnes, ensina hábitos de vida saudáveis; e aposta em e atividades como Yoga e meditação para alivar sintomas de depressão e proporcionar uma chance ao auto-estudo; além do uso da acupuntura e reiki  para os pacientes em recuperação de grandes centros hospitalares dos EUA.

O ponto aqui é: você não precisa ser um cientista, um acadêmico ou ter qualquer tipo de envolvimento com alguma instituição de ensino superior para ter acesso a este tipo de informação. A raiz de todo este conhecimento, a fonte emissora, está disponível, a qualquer hora e local. Um dos textos clássicos do Yoga, onde foi descrita por Patanjali toda a base desta ciência, se chama Yoga Sutra. E pasmem, o segundo aforismo (forma como estes textos antigos eram escritos) nos diz que o objetivo do Yoga é a sucessão das ondas mentais. E isso foi escrito há mais de cinco mil anos. Mas, precisamos colocar eletrodos nos monges para ter certeza que isso realmente acontece!

E como eles sabiam disso naquela época? Como eles realizaram esta “grande descoberta” que hoje é comemorada nos simpósios científicos! Sem nenhum tipo de recurso eletrônico!?!

O Yoga tem sofrido uma série de deturpações ao longo do tempo. Uns que acreditam, e se satisfazem apenas com os resultados no nível material, no corpo físico; outros usam este artifício para conquistas de parceiros sexuais e por aí vai uma série de más interpretações que não cabe citar aqui.

O que eu posso dizer por experiência própria, é o que Yoga te leva aonde você quer chegar. Ele tem a profundidade que você deseja alcançar e te acompanha o quanto profundo você desejar ir.

Controlando nosso corpo e a nossa mente, somos capazes de controlar a energia vital, o Prana, e sopro de energia viva que existe dentro de nós. A grande maioria do sofrimento que a Era em que vivemos nos condiciona, pode ser atenuada com este controle. Quando ficamos preocupados, tensos, agitados, a primeira reação é o aumento do ritmo da respiração. Por uma descarga elétrica originada no Sistema Nervoso Central, uma grande dose de adrenalina toma conta das veias e aumenta o ciclo das batidas do coração. É instinto, sobrevivência.

Mas a todo momento passar por este tipo de situação, tende a desgastar o corpo, pois o usamos de forma excessiva. Ter este controle, e poupar nossa respiração, tornando-a mais longa e consciente, reflete um estado de equilíbrio e equanimidade. Pouparemos nossa energia para o momento que realmente precisarmos. Assim como todos os recursos que hoje sustentam a nossa existência: alimento, água, luz, calor; o corpo também também possui um tempo de vida limitado, e precisamos estar atentos aos desgastes desnecessários.

Já estamos expostos a um mar de informação, poluição visual e sonora. Encontrar momentos de silêncio esta se tornando cada vez mais raro. Que pena, algo tão natural, orgânico, foi engolido pelo tumulto dos grandes centros, e até a mesmo a Índia, quem foi sabe o estresse que é para os sentidos circular naquelas avenidas; mas a cultura do silencio está lá, e é habitual procurar voltar-se para momentos de pura observação.

Com eletrodos ou não, o Yoga na minha humilde opinião, será comprovado na prática, na disciplina do dia a dia, na auto-observação. A ciência é uma aliada, e precisamos muito dela para enxergar o que está além da capacidade de nosso olhar. Mas porque não buscar esta literatura ancestral, que é a fonte de todo este conhecimento, e aceitar como válido o que foi escrito há tantos milênios!

Desculpe a audácia da comparação, mas ninguém até hoje colocou eletrodos na cabeça das beatas da igreja católica para saber se rezar o terço as deixas mais tranquilas...

É tudo muito mais simples do que imaginamos, como diria um sábio ancestral brasileiro: Tudo é questão de manter, a mente quieta, a espinha ereta, e o coração tranquilo!

OM TAT SAT

26 de mai de 2012

Pessoal ou impessoal?




Pessoal ou impessoal?


Ultimamente tenho refletido bastante sobre a forma como eu me relaciono com o Yoga e com a espiritualidade. Sem entrar no mérito semântico do significado destas palavras, procurei encontrar dentro de mim uma resposta realmente profunda e verdadeira que explicasse onde eu quero chegar com tudo isso.

Percebi que no início meu foco era no corpo. Fui parar no Yoga devido a uma doença crônico-degenerativa que tenho na coluna, que aos poucos vai transformando meus discos intervertebrais em esponjas; e aos quinze anos de idade as dores que eu tinha eram indescritíveis. Meu médico me receitou uma atividade onde eu pudesse alongar e ao mesmo tempo fortalecer a musculatura. Yoga era um pouco difícil de encontrar naquela época (exatos quinze anos atrás) e consegui praticar em um clube pertinho da minha casa.

Durante alguns anos, e algumas descobertas depois, fui entendendo que indiretamente aquela prática também influenciava no meu estado emocional. E logo em seguida, percebi  que existia uma vibração em torno de mim que às vezes era forte às vezes fraca, e em determinados ambientes aquela energia simplesmente ia embora, abrindo um buraco e criando um vazio muito grande.

Continuava praticando, procurando manter aquela energia de mais forma equilibrada, sem tantas oscilações. E em paralelo fui aliando a leitura de textos antigos, com professores mais experientes, que explicavam toda a origem daquela prática, e que me mostravam onde ela poderia me levar. 

A partir daquele momento fui começando a entender onde EU queria chegar. 

Até que num determinado momento  após anos de prática e estudo, fui percebendo que o que eu sentia na verdade era algo muito mais simples do que eu imaginava. Era amor! Sim, amor puro e simplesmente. Algo que às vezes transbordava e que parecia nem caber dentro de mim.

Quanto mais eu me amava, me cuidava, escolhia com carinho os alimentos, as relações, mais eu desenvolvia o amor por mim e pelas pessoas. Tornei essa relação o meu meio de sobrevivência e fui conhecer mais ferramentas para que eu pudesse transmitir para as pessoas aquela mesma sensação que eu tinha. 

Mas eu também me perguntava: De onde vinha todo este amor? 

Indo um pouco mais a fundo dentro do hinduísmo, me deparo com a seguinte questão: A experiência de amor também esta relacionada com a forma como nos relacionamos com Deus. Ele é o emissor de todo este amor. Logo, precisamos nos unir a ele.

Mas de que forma eu me uno a Deus. O que é Deus? Como é ele é? De que forma eu vejo Deus? 

É uma pessoa? Uma energia? Uma luz brilhante?

Foi então que comecei a pesquisar sobre o assunto, e vi que existem duas formas de entender a figura de Deus. A forma pessoal ou impessoal. Estou muito longe de ser alguma autoridade no assunto, o que trago aqui é apenas a minha interpretação pessoal sobre um tema extremamente complexo (mas que se encaixa muito bem nas minhas respostas sobre a forma como eu me relaciono com o Yoga).

Quem pratica Bhakti-Yoga, tem claramente este objetivo: Que é desenvolver o amor por Deus no seu aspecto pessoal. Reconhece a forma, os hábitos e tem uma relação de intimidade com Deus. 

Afinal de contas, se existe uma fonte emissora de energia e amor, porque eu vou oferecer minha devoção somente a aquilo que ela emana. É como o Chandramukha Swami, um vaishnava muito querido pela comunidade Hare Krishna falou em uma de suas gloriosas aulas: As pessoas abrem as janelas de suas casas pela manhã e dizem: “O sol entrou no meu quarto”. Mas sabemos que é impossível que o astro na sua magnitude possa entrar em algum lugar. O que entrou foram os raios, o calor produzido pelo Sol. Mas não o Sol em si.

Ele continua explicando que mesmo os raios fazem parte do Sol, e que um, não existe sem o outro. Então o raio também é o próprio Sol. Um está contido no todo e o todo está contido em um.

Em resumo, a devoção acontece quando existem duas partes separadas (mesmo que ainda contidas nas mesmas).  Para que se estabeleça a devoção eu sou de alguma maneira, separado daquilo que eu direciono o meu amor.

Agora, se você pergunta para um Yogue (de qualquer linha, um Raja Yogue), qual o seu objetivo com a prática? Ele pode te responder: Minha meta última é atingir libertação (moksha), a completa união com o absoluto. Eu me uno ao absoluto e me libero da roda de reencarnações.

Ele não reconhece que Deus tem uma forma definida, ele se relaciona com o TODO, com Deus no seu aspecto absoluto. Tudo pode ser Deus. Ouvi em uma aula sobre hinduísmo com o brilhante professor Lokasaksi Dasa, uma história bem interessante sobre isso. Certa vez a esposa do professor Hermógenes teve a oportunidade de fazer uma pergunta ao Sathya Sai Baba, e ela astutamente perguntou: É verdade que você é Deus? Ele respondeu: Sim eu sou Deus. E continuou: “Mas você também é Deus. A única diferença entre eu e você, é que EU estou consciente de que eu sou Deus.”

São dois objetivos bem diferentes não é? Reconhecer ou não a forma de Deus? Usufruir das técnicas do Yoga para se aproximar de Deus. O que antes era apenas um benefício incrível para meu corpo físico, agora se torna um caminho de elevação da minha alma. É importante em algum momento a gente parar um pouco e se perguntar: Onde isso vai me levar? 

O Yoga físico é apenas uma fase preparatória para algo que esta muito mais além. Experimentar este sentimento de amor me preenche de felicidade e satisfação. Sei nunca vou encontrar isso em nenhum outro lugar. Eu acho muito legal quando alguém me pergunta sobre qual linha de Yoga eu ensino, e é claro, eu tenho minhas preferências em relação à forma de fazer os Ásanas, mas o que eu respondo é: "Aquela em que eu consigo transmitir mais amor".

Como já falei em outros textos, a devoção me levou a um outro nível de entendimento da minha existência. Sou completamente leiga e apenas uma estudante de primeira série em um curso que dura mais de mil anos, mas corajosamente compartilho com vocês esta passagem; pois ter entrado em contato com tudo isso, me tornou uma pessoa muito melhor e uniu ainda mais minha mente, meu corpo e meu coração!

Desejo a todos vocês: ANANDA - ÊXTASE - FELICIDADE SUPREMA!!!

De que forma vocês vão conseguir isso... bom, neste caso é exatamente como no programa de Milhagem da Varig: "Totalmente pessoal e intransferível"!!!

Ommmm 



4 de mai de 2012

A Marcha das Mulheres





A Marcha das Mulheres



Recentemente nas redes sociais uma imagem gerou polêmica e levantou velhas discussões. Esta imagem mostrava uma comparação entre uma “psedo-celebridade” e a jornalista e apresentadora Patrícia Poeta. Esta primeira trajava um vestido preto curtíssimo e sapatos de salto plataforma, a apresentadora preservando sua imagem séria e recatada, também usava um vestido preto, muito comportado e sapatilhas; a legenda dizia: Isso é vulgar e isto é elegância.

O impacto gerou depoimentos das mais diversas vertentes. Algumas mulheres apoiaram tal comparação, sendo enfáticas ao dizer que mulher não precisa se vestir como prostituta para chamar atenção, que precisam sim ser elegantes e clássicas, e que esta era a imagem que refletia a mulher moderna. Já as feministas, que lutam por direitos equânimes e uma vivência humana liberta de padrões opressores, por definição, taxavam a imagem de preconceituosa, porque afinal de contas, o corpo é de cada um, e é um critério totalmente pessoal a escolha da roupa; e que não deve ser taxada como vulgar uma mulher que tem a preferência por vestes provocantes.

Em meio a esta confusão, por casualidade ou não, foi divulgada mais uma edição aqui no Brasil da “Marcha das Vadias”; movimento social iniciado em 2011 em Toronto, no Canadá, que desde então se tornou internacional realizado por diversas pessoas em todo o mundo. A Marcha das Vadias protesta inicialmente contra os casos de estupro e abusos sexuais causados por excesso de sensualidade, isto é, a mulher é abusada porque provocou isso com seu modo de vestir. Então, as mulheres saem às ruas, vestidas com o que bem entendem (algumas seminuas ou com transparências), e carregam faixas e cartazes com dizeres do tipo: “O Corpo é meu, eu faço o que quero”; “Eu sou um ser humano, não um brinquedo sexual”; “Minha mini-saia não é um convite”; “Contra a globalização do silicone”.

Intrigada por tal questão e muito cuidadosa em emitir qualquer tipo de julgamento, fui atrás da literatura e busquei entender qual mitologia ou em que momento da nossa história este tipo de movimento poderia estar ligado. Alguns autores consideram impossível entender um povo de uma sociedade em particular sem ter um entendimento de sua mitologia. Os mitos exprimem crenças, moldam comportamentos, justificam instituições, costumes e valores.

Cheguei ao livro da Dra. Catherine Blackledge chamado: A história da V – Abrindo a Caixa de Pandora; esta publicação trás pesquisas e análises de diferentes mitos, teoria da evolução, biologia e medicina reprodutiva, desvendando o oculto do corpo feminino.

Usando esta referência, a autora nos leva ao inicio da civilização, aproximadamente no século V AC. Herótodo, famoso explorador e historiador grego viajou por todo o Egito nesta época, e viu a inversão do papel do homem e da mulher naquela sociedade: “as mulheres vão ao mercado e se ocupam dos negócios, enquanto os maridos ficam em casa e tecem”.  Naquela época, era visível a força e poder associados às mulheres.

Uma crença muito incomum naquela sociedade era tema em rituais e celebrações: a exposição da genitália feminina. Este impávido gesto feminino era considerado de grande poder, capaz de causar uma tempestade ou acalmar os oceanos. O evento egípcio registrado por Heródoto como testemunha ocular foi o festival anual de Budapeste, a deidade envolvida nessas celebrações era a deusa-gata Bast ou Bastet (curioso notar a associação da genitália feminina com a felina -puzzy- presente em diversas lendas mitológicas) esta deusa era padroeira dos prazeres, das danças, da música e da alegria. Centenas de foliões se reuniam em barcos para celebrar a deusa, ao passarem pelas aldeias, algumas mulheres dançavam enquanto outras erguiam suas saias. Heródoto então deu a este ato explícito o nome de: anasuromai, derivado de uma palavra grega que significa “erguer as próprias roupas”.

Plínio, outro historiador do mundo antigo, escreveu no século I DC em sua História Natural , que tempestades com tufões e relâmpagos podiam ser apaziguados quando confrontados com a imagem de uma mulher nua. Ou seja, a visão de uma mulher expondo deliberadamente a sua vulva é tida como capaz de impedir que o mal aconteça.  Ademais, o exame das lendas sobre a exposição da vagina revela dois modelos: uma que se concentra nos efeitos de afastar o mal, e outros, nos efeitos de aumentar a fertilidade das lavouras ou dos próprios animais. O curioso é que todos os relatos históricos mostram que esta exibição era feita coletivamente, por grupos de mulheres; mais uma vez mostrando a força e o poder do coletivo feminino. E estas crenças foram sendo mantida por gerações e gerações.

Voltando ao nosso tema, da Marcha das Vadias, trago o seguinte questionamento. Será que é possível que estas mulheres agora no século XXI estejam de alguma forma retomando este poder, que por tantas Eras foi reprimido: “Senta direito menina... fecha as pernas”. Este excessivo pudor não foi uma forma no nos reprimir através dos tempos? E agora, cheias de coragem e autoconfiança saímos às ruas expondo este poder? Infelizmente se estivéssemos nuas provavelmente antes de terminar a passeata estaríamos presas em uma delegacia por atentado ao pudor; mas sim, cobertas com poucas roupas e autorizando o arbítrio de usa-las sem ser taxadas como vulgares? Seria um resgate desta crença?

É irônico chamar a nossa sociedade de moderna, mas o patriarcado por anos coibiu estas mulheres tão poderosas que nuas eram capazes de terminar guerras e hoje, na sociedade em que vivemos, precisam realizar movimentos como estes, ou são ridicularizadas por outras mulheres, que infelizmente não sabem nada de história. Não acho que é preciso instigar uma competição entre os sexos, mas sim, que as pessoas se informem, leiam, estudem, só assim poderemos desenvolver nosso senso critico e opinar de maneira mais justa e com o foco na evolução da nossa sociedade.

Que dominação é essa que culpa a mulher por ser estuprada? Que reverso terrível e triste da nossa história, onde está nosso poder?

MULHERES UNIDAS, JAMAIS SERÃO VENCIDAS!!!



17 de abr de 2012

Pobre coco!



Pobre coco!


Segundo o Ayurveda, são 3 os sustentáculos (Upasthambas) da vida: o alimento (Ahara), o sono (Svapna) e o controle da atividade sexual (Brahmacharya) e a saúde (Swasthya) depende do uso adequado dessa tríade.

Estamos sempre expostos ao apelo da mídia sobre os "produtos milagrosos" . Hoje a Revista Veja publicou uma reportagem onde relata que o óleo de coco não serve para emagrecer. A matéria se intitula: Óleo de coco: para emagrecer, não passa de bobagem. Foi avaliado a quantidade de gordura saturada presente do óleo, e dito que não existe comprovação científica que o óleo de coco possa reduzir a gordura corporal. Ora, é claro que se o sujeito tomar óleo de coco e comer um hambúrguer com cheddar ele não vai perder peso. 

Mas então quais são as outras propriedades do coco?


É descrito nos Vedas como a árvore do paraíso (Kalpa Vriksha). Teria sido trazida à Terra pelo próprio Lord Vishnu para promover a saúde, a força, a longevidade, a energia, a tranquilidade e a paz. Muito utilizado em poojas nos mais diversos templos. Muito nutritivo, seu óleo é facilmente digerido sendo utilizado pelo organismo mais facilmente que outras gorduras, além de reduzir a acidez estomacal. Possui proteína de alta qualidade, magnésio, potássio, fósforo, sódio e enxofre. Possui várias vitaminas do complexo B e vitamina C; um copo de água de coco é suficiente para fornecer a quantidade necessária desta vitamina/por dia.


Terapeuticamente, a planta apresenta sabor doce e propriedades refrescantes, por isto está indicada para as pessoas com Pitta (fogo) aumentado no corpo. Na Índia, este óleo é utilizado nas queimaduras, eczemas e micoses pela sua propriedade anti-séptica.

É também usado pelas mulheres no Oriente, pois deixa os cabelos saudáveis e bonitos.

A massagem com óleo de coco refresca o calor corporal, pode usar usado no topo da cabeça em dias muitos quentes para evitar o calor nesta região, e ainda auxilia o corpo a absorver mais Prãna (energia) do ar. 

Mas o que vende??? Milagre, isso vende! E pior, por pressão da indústria algo tão sátvico como o óleo de coco pode se tornar um inimigo, assim como aconteceu com a nossa querida Kumari. O suco de aloe vera  foi retirado do mercado por suspeita de ser cancerígeno. Precisamos ter muito cuidado com o aquilo que lemos, com a fonte das informações e principalmente com as nossas atitudes.

O que precisa ser mudado é a forma como nos relacionamos com a comida. O corpo precisa de nutrição para formar os tecidos (dhatus) e produzir imunidade (ojas). Não podemos colocar no alimento o alivio de todas as nossas frustrações, ou na comodidade de se tomar uma simples cápsula, a forma ideal de perder peso. Para isso é preciso ter uma dieta equilibrada, e principalmente uma mente estável. 

A ignorância (avidya) é o grande causador das doenças, pois não buscamos conhecer e entender aquilo que estamos ingerindo. Para isso existe esta linda e milenar medicina, que vai a fundo, que transforma a maneira como nos relacionamos com o mundo, só assim seremos felizes, não sei se magros porque isso depende da nossa constituição, mas o que importa é ser saudável, inteligente, consciente e ético, isso sim, é a verdadeira beleza.

Como comer é um ato sagrado, apresento à oração a Annapurna, a Deusa das Colheitas.

annapurne sadapurne sankarapranavallabhe
jnanavairagyasiddhyartham bhiksam dehi ca parvati

Ó Parvati, consorte do Senhor Shiva, sempre plena,
preenche a todos com seu alimento, permita-me ter
sempre o alimento necessário e poder alcançar
conhecimento e desapego


PS: Esta foto foi tirada em Pondicherry pela minha grande amiga Larrisa Weisen, em uma de nossas aventuras pelo Sul da Índia. O coco é a forma de sustento de muitas famílias. Digamos que algo bem mais nobre do que apenas produzir o emagrecimento!

Namastê!



10 de mar de 2012




O Egoísmo Espiritual

Já faz muito que reflito sobre sobre as questões e dúvidas que acompanham aqueles que optam por seguir o caminho do desenvolvimento espiritual. Tive a sorte, ou quem sabe, fui abençoada pela graça de ter começado muito cedo, na adolescência, mas embora cedo, esta fase da vida é bem complicada, pois temos que lidar com as diferenças e questionamentos das pessoas que nos amam, e temem que algo esteja errado.

Quando você é adolescente a diversão é ir a festas, encher a cara, arriscar-se nas mais diversas aventuras, e isso faz parte e na minha opinião com responsabilidade deve ser vivido, e foi o que eu fiz. Só que aos poucos fui me dando conta que eu não precisava de nenhum artificio externo para ser feliz, ou para ser mais extrovertida, pois sempre fui muito alegre a companheira dos meus amigos.

Parar de comer carne no Rio Grande do Sul foi uma afronta aos meus antepassados. Chegar com abobrinha, abacaxi e arroz integral nos churrascos sempre foi motivo de chacota, mas aos poucos as pessoas foram entendendo e respeitando este novo estilo de vida, não sair mais para as baladas, acordar cedo, e posteriormente o trabalho com o yoga só me ajudou, e fiz belas associações com pessoas que tinham o mesmo propósito de vida, o que foi muito recompensador. Isso é fundamental!

Mais de 15 anos se passaram e também muitas mudanças na vida, e hoje novamente me vejo na mesma situação. Com dificuldade de interagir com grupos de pessoas que não tem este mesmo propósito, não quero parecer uma pessoa chata, ou deslocada, mas juro por Deus que em certos ambientes me sinto um peixinho fora d´agua.

Em algumas leituras, e recebendo os conselhos de alguns mestres, todos falam de um certo "egoísmo", que o devoto, ou quem segue o caminho espiritual as vezes deve por em prática. Mas o que será este egoísmo? Sinto que muitas vezes eu prefiro ficar sozinha, praticar um bom sadhana, uma boa leitura, à me aventurar por festas e encontros sociais, será que é disso que eles estavam falando?

Numa outra oportunidade um mestre muito querido falou que a gente nunca encontraria um professor de Yoga em um bar, ou em um pagode. Lógico que ele estava exagerando no exemplo; mas o que ele queria dizer é que os yogues devem viver a vida de acordo com o que acreditam. Coerência, harmonia entre o falar e fazer. Não é fácil seguir a risca, afinal vivemos no ocidente e nem todos os nossos amigos e gostos respeitam 100% esta escolha; mas interpreto que devemos ao máximo procurar isso, mesmo que muitas vezes tenhamos que ser um pouco egoístas.

No Vedanta se estuda a realidade, a evolução e a libertação. Segundo uma recente entrevista que li com a professora Glória Arieira, existem dois estilos de vida em busca da libertação (de um sofrimento, de uma insatisfação constante): um estilo de vida do sannyasin (renunciante), em que a pessoa renuncia à sociedade - casa, filhos e trabalho- e vive isolada, estudando e meditando; e outro em que o Karma Yogi vive na sociedade, mas encaixa o estudo e o ensino também na sua vida com os filhos, o trabalho, etc.

Ela comenta que todos nós achamos que a renúncia é mais fácil e Arjuna na Gita também achava: porque você então só se dedica ao estudo. Mas acredito que tentando conciliar tudo isso, amadurecemos e também ensinamos um pouco aos que mais precisam. 

Não somos melhores nem piores dos que os outros, apenas optamos por desenvolver mais potencialidades. 

Todos são capazes, mas apenas alguns o fazem, pois como falei no inicio do texto, muita gente vai te questionar até entender o proposito da sua vida.

Um grande beijo e uma reverencia com muito amor a todos aqueles que escolheram o caminho da entrega e da devoção. Que todos possam entender e nos respeitar!

Que este egoísmo não nos afaste das pessoas, mas sim que ele afaste energias e situações que não nos acrescentam!

Mãos em prece

7 de mar de 2012




A volta das voltas!

Sim, estou voltando a escrever no meu querido blog!

Talvez por uma enorme necessidade de compartilhar os momentos da minha vida, ou mesmo para na ação da escrita, organizar melhor todas as ideias dentro de minha cabeça. A volta da Índia, representou uma nova perspectiva no meu caminho. Confirmações e acertos de todas as escolhas que fiz, que me levaram ao universo do oriente e o acesso ao tesouro milenar desta cultura tão nobre.

O trabalho que já desenvolvia foi acrescentado de muito mais confiança, é como se todo aquele conhecimento que recebi em aulas, cursos e palestras, agora estava sendo metabolizado dentro de mim; foi um verdadeiro aprendizado interno.

Já fazem 5 meses desde então, e agora me vejo frente a um novo desafio. Um chamado para enfrentar uma outra expedição, mas desta vez, não vou longe, na verdade estou voltando.

Decidi retornar a viver em minha terra Natal, em Porto Alegre. Esta decisão implicou uma série de "desatar de nós" que eu mesma havia criado. Mas ao olhar internamente percebi que o  que havia antes deixado para trás, hoje estava me fazendo uma falta imensa. Mesmo trabalhando todas as questões filosóficas e me fortalecendo a ponto de estar totalmente feliz e plena em minha própria companhia, senti que a minha presença fazia muita diferença na vida de outras pessoas. E estas pessoas são hoje tudo que há de mais valoroso para mim: meus pais.

A matemática da vida é traiçoeira, começamos a pensar em anos... quantos anos ainda tenho para desfrutar a presença deles? Espero que ainda muitos, mas estando longe fica tudo mais preocupante.

Cuidar dos pais é uma ação dharmica, uma bem-aventurança. É como se estivéssemos de alguma forma agradecendo pelo nosso nascimento. Acredito que as pessoas que o fazem com amor são gratificadas com muito, mas muito mais amor. Escolhas fazem parte da nossa vida, o livre arbítrio é a nossa porcentagem de ousadia e coragem. Sempre ouvi de pessoas conhecidas que eu era alguém de coragem: Você saiu de casa muito cedo e foi morar numa barraca na beira da praia... ir sozinha explorar a Índia... você é corajosa mesmo! E agora me vejo à frente a um dos maiores desafios: sair de São Paulo, ficar longe do meu companheiro, amigos, e resgatar uma nova vida que há 4 anos deixei para trás.

Encaro uma jornada de reestruturação emocional. Me doar, de corpo e alma a esta nova etapa. Em 4 anos esta será minha quinta mudança de casa. Cada vez, estou reduzindo mais o número de coisas que carrego. 

Se vier uma sexta acho que uma sacolinha ecológica já vai dar conta do recado!!!

Prometo que vou manter todo mundo atualizado, e quem sabe, ajudar aqueles que esteja passando por uma fase parecida em suas vidas!

Segue um pensamento do querido Swami Dayanada:

"Uma vida com uma organização menos artificial pode colocar o homem em seu próprio colo mais vezes do que ele poderia desejar e, nesses momentos solitários, ele pode descobrir mais sobre si mesmo". 

Vamos?