14 de fev de 2015

Queridos amigos, O Congresso Brasileiro de Ayurveda está chegando e eu quero lhes fazer um convite especial para que participem. O evento é ONLINE E GRATUITO e vai levar os conhecimentos do Ayurveda para milhares de pessoas. Para saber um pouco mais clique para assistir ao vídeo:


http://escolhassaudaveis.klickpages.com.br/barbarahocsman

3 de nov de 2013

Ida e Pingala Nadis - Equilibrio na prática




A consciência das nadis Ida e Pingala pode ajuda-lo a desenvolver o equilíbrio na prática e clarear o caminho para seu crescimento espiritual.

Por Jaymes Bailey

Um estudante do grande poeta Indiano Kabir uma vez perguntou a ele: “Kabir, onde Deus está?”  Sua resposta foi simples: “ Ele é a respiração dentro da respiração”. Para entender a profunda implicação da resposta de Kabir, nós precisamos olhar através dos componentes físicos da respiração – o oxigênio, dióxido de carbono, e outras moléculas que percorrem cada inalação e exalação. Por trás desta respiração- e junto com ela, está o prana, a energia vital do universo que é literalmente a causa da vida.

Para aqueles que praticam Yoga, o desafio é aproveitar esta energia para que ela sirva de combustível para a nossa mente, corpo e desenvolvimento espiritual. Para fazer isso, nós precisamos olhar dentro dos mistérios da mente e do corpo sutil. Felizmente, os antigos praticantes do Tantra viajaram nesta paisagem interior, mapeando as diferentes formas de como esta energia circula dentro de nós. Entre suas descobertas as mais importantes foram as Nadis, o vasto canal de energia que torna cada indivíduo um ser integrado, consciente e completo.

A palavra Sânscrita Nadi deriva da raiz Nad, que significa “flow” “movimento” ou vibração. A palavra por si só sugere a natureza fundamental de uma Nadi: Fluir como a água, encontrando o caminho de menor resistência, e nutrindo tudo neste caminho. As nadis são nosso sistema energético de irrigação; em resumo, eles nos mantém vivos.

De acordo com vários textos Tântricos, o corpo humano contem 72.000 nadis, que são canais de prana para cada célula. Alguns são largos e tem um fluxo rápido, outros são meros gotejamentos. Quando este sistema flui livremente, nos sentimos vivos e saudáveis; quando ele se torna fraco ou congestionado , enfraquecemos a saúde física e mental. As práticas de Hatha Yoga são tão efetivas porque elas aumentam a força do fluxo do prana no nosso corpo, revigorando e removendo possíveis obstruções que bloqueiam a fluidez desta energia.

Por causa das Nadis, assim como os chakras (psicoenergético centro de energia) prana, e outros aspectos do corpo sutil, não aparecerem sob os microscópios, a ciência médica os renegou, a algo somente metafórico. Mas yoguis tradicionais acreditam que o corpo sutil é real, e compreende-lo e trabalhar com ele equilibram a ênfase na anatomia apenas física que é predominante na cultura do Yoga nos tempos atuais.

Dia e Noite

Três nadis são particularmente importantes e de interesse aos Yoguis. O Sushumna (o mais gracioso) Nadi é grande rio do corpo, correndo da base da coluna até o topo da cabeça, passando através de cada um dos sete chakras neste percurso. Este é o canal por onde a Kundalini Shakti (o poder latente da serpente) ascende. Deste sitio original que é o muladhara (raiz) chakra para a sua real morada no Sahashara (mil vezes maior) chakra no topo da cabeça. Em termos de corpo sutil, o sushumna nadi é o caminho para a iluminação.

O Ida e o Pingala nadis se encontram espiralando em torno do sushuman nadi, como as duplas hélices do DNA, cruzando cada um dos chakras. Se você visualizar o caduceu, o símbolo da medicina moderna, você vai ter uma boa ideia da relação entre ida, pingala e sushumna nadis. Eventualmente, os três se encontram no Ajna (comando) chakra, no meio das sobrancelhas.

O Ida Nadi começa e termina do lado esquerdo do sushumna. Ida é conhecido como a Nadi lunar, fria e nutrida pela natureza, e é também a controladora dos processos mentais e dos aspectos mais femininos da nossa personalidade. A cor branca é usada para representar a qualidade da vibração sutil de Ida. Pingala, a Nadi solar, começa e termina no lado direito do Sushumna. Ela é aquecida e estimulada por natureza, controla todos dos processos somáticos e supervisiona mais os aspectos masculinos da nossa personalidade. A qualidade vibracional da energia sutil de Pingala é representada pela cor vermelha.

A interação entre Ida e Pingala corresponde a dança interna entre a razão e a intuição, consciência e o poder vital, e os hemisférios direito e esquerdo do corpo. No dia a dia, uma das nadis é sempre dominante. Mas esta dominância se altera ao longo do dia, uma Nadi tem a tendência de ser mais ascendente e por um maior período do que a outra. Isto tem uma influencia na nossa personalidade, comportamento, e questões de saúde que podem ser associadas a cada um dos canais, criando o termo “tipos Ida” e “tipos Pingala”.

Os indivíduos do tipo Ida, tem qualidades lunares e nutritivas, mas talvez eles não consigam manter sua energia para sustentar uma pratica mais vigorosa de Yoga. Eles estão cheios de potencial , a menos que eles desenvolvam seu lado Pingala, talvez eles nunca manifestem este potencial, tanto em assuntos mundanos ou no desenvolvimento espiritual. Indivíduos do tipo Pingala tem qualidade solares:  tem personalidade, muita criatividade, e abundante vitalidade. Mas a não ser que eles desenvolvam seu lado Ida, eles podem perder a quietude, introspeção e receptividade necessárias para atingir as graças do despertar espiritual.

Criando equilíbrio

Trazer ida e pingala ao equilíbrio é o foco maior da hatha yoga – muito importante, de fato, que o termo hatha simboliza este equilíbrio. Embora a palavra hatha literalmente signifique “energético” em sânscrito, ela é composta de ha e tha, duas exotéricas bija (sementes) mantras, que possuem um significado misterioso e poder.  Ha representa a qualidade solar, a força vital, de pingala. Tha representa a mente e as qualidades lunares de Ida. Equilibrando sol e lua, ou ida e pingala, facilita o despertar e a subida da Kundalini, e conduz o despertar da consciência mais elevada. De fato, alguns professores de yoga sustentam que enquanto existir o predomínio de ida ou pingala (isto é, um desequilíbrio), sushumna ficará fechada e o poder da kundalini estará dormente.

O método mais poderoso para o equilíbrio de Ida e Pingala é o Nadi Shodana, respiração nasal alternada. (Literalmente em sânscrito significa “ limpeza das nadis”). Esta prática é efetiva porque Ida Nadi  é diretamente conectada com a narina esquerda, e pingala Nadi com a direita. Alguns ciclos desta técnica básica de pranayama no final da prática de ásanas é um excelente caminho para ajudar a restabelecer o equilíbrio entre as duas nadis e compensar por qualquer desequilíbrio que você sem saber pode ter causado durante a sua prática.

Entrando em Equilíbrio

Além de usar Nadi Shodhana , você pode experimentar com o uso os próprios ásanas como um método de equilibrar ida e pingala . No início da prática , sente-se e observe sua respiração para ver qual narina - e qual nadi - é dominante. (Se você não pode dizer, tente algumas rodadas de respiração alternada , que deve ser imediatamente claro qual é o lado mais livre e qual você sente mais bloqueado ) . Se a narina esquerda domina , ida está no comando, e você pode considerar  o foco da sua atenção em revigorante asanas , tais como retroflexões , posturas em pé , inversões, e torções - que envolvam o nadi pingala . Se a narina direita domina  o resfriamento  e a calma das posturas sentadas e flexões para a frente, podem ser mais benéficas.

Você também pode trazer a consciência de ida e pingala em qualquer prática de asanas, fazendo uma pausa entre as poturass para perceber que nadi domina sua respiração. Observe os estados da sua mente , bem como, você vai descobrir que eles estão intimamente correlacionados com qual nadi é ascendente. Você está agitado e ativo ( pingala dominante) ou calmo e receptivo ( ida -dominante) .  Através deste processo de check-in, você pode começar a identificar qual postura ativa uma nadi ou a outra, e quais são particularmente eficazes para você, na criação do equilíbrio físico e emocional.

Você também estará desenvolvendo sua consciência , aprofundando a sua prática, e abrindo caminho para o seu crescimento espiritual.

Quem quiser conferir o texto em inglês, na íntegra:

http://www.yogajournal.com/wisdom/927


15 de abr de 2013

Criando consciência na respiração




Criando consciência na respiração

Volta de viagem é sempre é uma loucura! Mil coisas a resolver, amigos para rever, armário virado do avesso. Mas consegui parar um pouco para voltar a atualizar o blog, e dividir neste momento um pouco do conhecimento que adquiri no curso de aprofundamento de pranayama com o professor Ganesh Moham, da Svastha Yoga e Ayurveda. Ensinamentos baseados nos textos deixados por Krishnamacharya.

O curso teve a duração de duas semanas, e o foco principal eram as aplicações terapêuticas dos pranayamas, isto é, dos exercícios de respiração; em casos de distúrbio do sistema respiratório e neurológico. A primeira semana foi dedicada a estabelecer o controle do ar, trazendo de volta a respiração natural, livre; e na sequência aprofundamos a anatomia dos distúrbios e fomos agraciados com um vasto vocabulário de técnicas e sequências para cada caso em particular.

Escrevo de forma bem livre, da forma como compreendi, e espero que possa ajudá-los em suas aulas ou mesmo na prática pessoal.

Namastê

SAHA NA VAVATU
SAHA NA VUNAKTU
SAHA VIRYAM KARA VAI VAHAI
TEJAS VINA VADHI TAMASTU
MA VID VISA VAHAI
OM SHANTI SHANTI SHANTI

- É muito importante fazer o aluno observar a respiração e mudar a maneira de respirar. É um grande desafio ter o controle dos sentidos, e apenas observar. São muitas distrações. A respiração é sutil, não é algo excitante, assim como os ásanas. Todos os sentidos devem estar direcionados para a respiração. Com isso, se modifica o padrão da respiração, fazendo o aluno entender estas mudanças: abrir o peito, sentir o movimento do ar. Não usar muitas retenções, não criar tensão. Usar palavras para descrever a respiração, frases, visualizações e metáforas. Evocar o sentimento.

- Criar sequências simples para o aluno perceber onde ele respira em cada postura. Se a respiração estiver no abdome, a pessoa está relaxada. Se estiver no peito, é porque existe ainda alguma tensão. Respirar como se estivéssemos dormido, respiração mais breve e suave, sem grandes esforços. Perceber áreas tensas e relaxar. Dar conhecimento ao corpo. É possível usar algo externo para criar esta percepção, como de barriga para baixo onde sentimos o chão, colocar as mãos sobre o corpo; irá criar um senso de realidade e conseguiremos direcionar a respiração para o local que queremos.

- Usar palavras simples e ser econômico, para não gerar um excesso de informação. Não usar mais que três aspectos da respiração numa mesma prática (tempo, profundidade, direção, temperatura, etc.)

- A definição de Pranayama segundo Patanjali nos fala em observar, com o foco mental apropriado, caminhando para uma respiração suave e longa. 

- Uma técnica muito utilizada é trabalhar com um METRÔNOMO. Ele permite que a gente perceba por quanto tempo estamos respirando, e assim alongar a respiração. Cria consciência e de forma rápida mostra ao aluno a relação dos ásanas com a respiração. É um acesso rápido, objetivo, para sentir o quão longo estão às fases da respiração. Como me sinto hoje? É um padrão de mensuração. Depois de algum tempo de prática, não é mais preciso contar pois se estabelece a capacidade de perceber. 

Exemplo: Usar o metrônomo marcando a cada 1 segundo e realizar uma série de Surya Namaskar. Contar as batidas na inspiração e exalação durante toda a série. Fazer a média e usar esta média para os pranayamas.
                         
             

Neste exemplo clássico da sequência, temos 10 posições após o tadásana, em cada fase contar quantos segundos leva-se para inspirar e expirar em cada ásana, depois fazer a média. A cada prática ir aumentando o tempo, incrementando com outros exercícios, e após um período repetir a prática com o metrônomo e avaliar o progresso.

- A posição mais confortável para se trabalhar a respiração natural é em inclinação de 45°, sem abrir excessivamente o peito. Pode-se usar uma cadeira deitada no chão (apoio da cadeira para o chão) e encostar na parede. O bolster muitas vezes cria tensão nos ombros. O peito deve estar completamente relaxado.

Respiração abdominal:

Melhores ásanas: Savasana, Setu Bandha Sarvangasana, Ado Mukha, Apanásana

- Usar a mão na parte inferior do abdome, acima do umbigo. Solicitar que o aluno relaxe os músculos abdominais. Muitos problemas digestivos podem ser solucionados quando conseguimos aliviar a tensão nesta musculatura. Mostrar as diferenças entre respirar com o peito e a barriga.

- Quando respiramos pelo peito, sentimos o movimento na caixa torácica. Se respiramos pelo abdome, com os músculos relaxados, não existe, ou muito pouco movimento é percebido na caixa torácica. Isso acontece em função da anatomia das costelas, devido a sua angulação em forma de alça (como as alças de um balde), é fácil sentir este movimento.

- Devemos começar a ensinar pela EXALAÇÃO, pois o abdome já estará em contração, e naturalmente a consciência na própria inspiração irá para o peito. Muitas vezes quando pedimos para o aluno alongar a inspiração, gera tensão tanto no peito quanto na face (fazemos "caras e bocas").

- Percebendo que existe uma diferença de expansão na caixa, onde um lado expande mais que o outro, fazer exercícios no decúbito lateral, com a cabeça no chão apoiada sob o braço; é uma posição muito boa para visualizar a expansão na caixa torácica e corrigir estes desníveis. 

- O Balásana é uma boa posição para ensinar a respiração natural, pois o próprio ásana não permite que se respire muito profundamente, então é bom para fazer o aluno perder a vontade de controlar o tempo todo, ou aprofundar demais a inspiração. Para quem se sente confortável é uma ótima opção. Afastando um pouco os joelhos permite a respiração abdominal ainda mais profunda.

- Nas extensões para trás, como Ustrasana, é importante orientar o aluno a respirar pelo abdome, principalmente na parte inferior; para não causar uma sensação de estrangulamento. Com isso, aos poucos o aluno vai relaxando mais e mais na postura. Não forçar o aluno a fazer grandes respirações durante as posturas de extensão. 

- Nas invertidas, a respiração deve ser no abdome. O ar é empurrado para a exalação naturalmente a partir da raiz do abdome. Aumentar a exalação faz o aluno avançar na postura, expulsando ainda mais o ar pra fora. Cuidar a posição da coluna, criar uma curvatura, apoiando os pés na parede, permite que se mantenha o foco na respiração.

- Fazer o aluno se perguntar a cada postura, onde fica mais fácil respirar? No peito? No abdome? Criar esta consciência. Para onde está indo a minha respiração? Qual o meu objetivo? Estou confortável com a minha respiração natural?

Asma e Neuro:

- Os asmáticos sofrem com a exalação, tosse, sentem o peito preso, sem ar. Ruído na respiração e fadiga (especialmente em crianças que perdem o fôlego facilmente). Uma maneira de observar se o aluno está progredindo são testes de sopro, onde se avalia facilmente a capacidade de expulsão do ar, e o de volume expiratório forçado, para verificar em quanto tempo conseguimos expulsar o ar mais fortemente (ex: em pé soprar pela mão e ver em quantos segundos se leva para expulsar completamente o ar).

- Para ajudar é preciso incrementar a exalação, tentar tirar mais ar, mesmo que leve mais tempo. A tendência por eles não conseguirem respirar, é aumentar a ansiedade de um novo ciclo, e encurtar a exalação. Por isso é importante dar o foco na saída do ar. 

- Uma técnica é soltar o ar pela boca com os lábios levemente entreabertos, para sentir a saída do ar, controlando-a. Já que é mais difícil pelo nariz. É importante criar pressão, resistência à saída do ar, pois isso gera uma pressão interna, negativa, que mantém as vias aéreas abertas. Como apertar um saco cheio de ar. 

- Usar mantras na prática, é benéfico pela vibração do som. Mantra + Ásana. Pode usar sons simples, como a letra A na exalação, é mais agradável e ajuda a expulsar mais o ar. E é possível medir com mais precisão quanto tempo o aluno leva para exalar.

-Kapalabhati não é recomendado para asmáticos!

- Os pranayamas são o último estágio nas desordens respiratórias, pois o aluno não está confortável com a sua respiração.

- Nos casos de alunos com limitações graves, como pós AVC em que se apresenta um lado do corpo com comprometimento de movimento, é importante utilizar a visualização dos movimentos. Nunca fazer o movimento pelo aluno, e sim, conduzir para que ele mentalmente realize-o de forma igual ao lado não comprometido. Trazer boas experiências do passado, pode ajudar, desde que isso seja feito de forma agradável quando se tem aceitação da condição atual. Fazer a prática, depois fazê-la apenas mentalmente, e fazer outra vez; é um exercício muito interessante que trabalha a percepção do corpo e a criatividade. Visualizar o movimento completo ajuda a enfrentar o medo.

PRÁTICA - VISUALIZAÇÃO - PRÁTICA

- Experimente fazer isso com um sequencia simples, como o Surya Namaskar. Faça a sequencia completa, depois apenas mentalmente, e após repita novamente. A experiência é muito rica, pois criamos um espaço na mente para que os movimentos aconteçam. 

Espero ter contribuído! 

Boa prática!

17 de set de 2012

Trocando o velho pelo novo com a primavera!





Trocando o velho pelo novo com a primavera!


É chegada a nossa querida primavera! Época do desabrochar das flores, do clima mais ameno (ok... nem tanto assim, mas de qualquer forma temos a predominância de um clima mais agradável) e com ela um tempo mais seco, pois a Terra está mais próxima do Sol.

Seguindo um principio básico do Ayurveda, o Ritucharya, é interessante para a nossa saúde adaptarmos nossos hábitos de vida e alimentação de acordo com a mudança das estações. Afinal, este milenar conhecimento, assim como outras linhas orientais de terapias alternativas, compreende que a natureza e os ciclos da terra tem uma influência direta na nossa saúde.

Por exemplo, no inverno a Terra está mais distante do Sol,  e tende a ficar mais úmida e fria, e com isso nossa capacidade de digestão também é diminuída; porque de alguma forma precisamos reter mais energia no corpo para enfrentar as quedas de temperatura. Esta capacidade de digestão é chamada de Agni, nosso fogo digestivo,e com ele diminuído tudo aquilo que ingerimos que não somos capazes de metabolizar (os excessos), se acumulam em forma de toxinas no corpo- AMA.  E isso não acontece somente com os alimentos mas com tudo aquilo que os nossos órgãos dos sentidos são capazes de captar.

Então este "lixo" acumulado no inverno pode ser removido com algumas técnicas simples, adquirindo alguns novos hábitos (literalmente trocando o velho pelo novo) agora na primavera! Onde o Sol esta mais próximo da Terra, facilitando a diluição deste Kapha acumulado na estação anterior. Um período excelente para realizarmos grandes transformações na nossa conduta, livrando-nos de velhos condicionamentos. São caminhos a serem escolhidos!

Por outro lado, é um período também onde todas as alergias brotam, assim como as flores que desabrocham. As rinites alérgicas e coriza são bem comuns neste período, mas podemos aliviar seus sintomas com algumas mudanças simples.

De uma maneira geral o Ayurveda indica uma dieta de primavera morna e com quantidade não excessiva; deve-se aumentar a ingestão dos sabores picante e adstringente, moderar o sabor doce e salgado e evitar os sabores amargo, ácido e excessivamente doce. Alimentos muito frios também devem ser evitados. Cortar todos os laticínios e farinhas brancas, pois elas aumentam o acúmulo do muco.

Aumentar o uso de especiarias como pimenta-do-reino e malagueta, semente de mostarda, gengibre, cúrcuma, coco, cardamomo, cominho, canela, coentro, manjericão. Usar freqüentemente chás de ervas digestivas, como erva doce e hortelã, com gengibre e/ou canela e chás adstringentes, como dente-de-leão, camomila, jasmin, lavanda, morgango, hibiscus, mate. 

É um bom período para movimentar o corpo, aumentando o calor interno e secando ainda mais o Kapha. Principalmente pela manhã! Acordar um pouco antes do Sol nascer e evitar dormir entre 6h e 10hs da manhã, pois é um período onde a energia Tamásica (letargia, sonolência, inércia, preguiça) esta predominante! E também nos ajuda a perder aqueles quilos extras trazidos pela hibernação invernal! 

Precisamos nos habituar a acordar um pouco antes do nascer do Sol, e absorver esta energia trazida pelo Astro Rei.

Tratamentos de limpeza dos seios da face com o uso do Jala Neti, Pranayamas (especialmente Kapalabhati), dietas, jejuns, e massagens desintoxicantes são ótimas para serem realizadas neste período!

Vamos remover aquilo que não nos serve mais, abrindo espaço para o novo! 

Tenha uma linda primavera!


16 de ago de 2012

Yogatransporte





Yogatransporte

Sim, o nome é este mesmo! Yogatransporte! A pequena viagem que fazemos todos os dias na nossa prática de Yoga.

Ontem uma aluna me disse: "Eu nunca fui à Índia, hoje não posso fazer tudo que desejo pois meu marido não entenderia, então sinto esta necessidade de fazer Yoga todos os dias, onde me conecto com tudo aquilo que faz sentido pra mim."

Infelizmente uma grande parcela das pessoas hoje, tem algum tipo de infelicidade, ou mesmo de insatisfação; seja no trabalho, nas relações amorosas ou na falta dela. Em alguma área de nossa vida pode haver algo que não faz muito sentido. Mas por uma questão de sobrevivência precisamos arregaçar as mangas, baixar a cabeça e encarar este cenário todos os dias.

Mas e se houvesse um lugar onde tudo faz sentido? Onde tudo parece fluir naturalmente, onde nos sentimos fazendo parte de algo maior... e se este lugar não estiver na Índia, se for dentro de nós mesmo? É possível?

É como se durante uma longa jornada pudéssemos abrir uma janela e respirar. O Yoga para mim tem este efeito, embora trabalhe com isso todos os dias, na minha prática pessoal é o momento em que eu abro esta janela e olho para um mundo totalmente particular, onde eu posso ser quem eu quiser, até eu mesma! Posso trazer a imagem dos lugares lindos que já visitei, posso sentir os aromas, a música e recriar qualquer atmosfera que me traga uma sensação gostosa, de algo que vivi mas que hoje não faz parte do meu presente.

Sempre busquei na minha vida ter coragem para seguir meu coração. Mas entendo que as vezes não é possível largar tudo e sair em uma viagem em busca de alguma coisa, quem as vezes nem sabemos direito o que é. Muitas vezes é preciso ter calma, e descobrir nestas pequenas arestas uma forma de ser feliz com aquilo que é possível, com o que está disponível e acessível naquele momento. Isso é um treino, que nos conduz para uma plenitude mais verdadeira.

Íshvara Pranidhana, a entrega, não necessariamente deve ser interpretada como um deixar-se levar, e assim o universo se encarrega; mas sim de aceitar aquela pequena parcela de não-controle que muitas vezes queremos dominar. Precisamos ter uma parcela de maluquice, aquela leveza boba de acreditar que no fim tudo vai certo. Mesmo estando no meio do caos!

Se não for possível largar seu emprego e correr para as montanhas do Himalaya, acredite que mesmo dentro do seu quarto é possível fazer esta viagem. É uma questão de estado de espírito, de usar o poder da prática para diminuir o espaço entre aquilo que desejamos e o que realmente é possível. Até chegar o momento em que desejaremos somente aquilo que é realmente necessário, e assim, nos tornaremos plenamente realizados.

Sonhos são importantes, movem! Metas, objetivos, o desejo de se alcançar o que se busca. 

O ponto aqui é o que fazer até chegar lá? Como não sofrer demasiadamente nesta jornada? Como ter pequenos espaços de plena felicidade mesmo antes de atingir aquilo que determinamos como o nosso real objetivo?

Yogatransporte. Mergulhe na sua prática, transforme seu tapetinho no tapete mágico do Aladim e vá onde quiser! Mas depois volte, porque ainda temos muito trabalho pela frente!

Boa viagem!

30 de jul de 2012

Ah.. o amor!





Ahhh o amor...

Já algum tempo eu venho pensando sobre o tema, amor. E também procurando perceber em todas as fases da minha vida as diferentes formas e expressões de amor. O que me deixa um pouco triste, e também preocupada é perceber que muitas vezes nas relações, principalmente conjugais, o amor está um pouco adormecido. 

Quando digo adormecido, quero dizer que ele está presente, mas apenas não manifestado. O carinho, o afeto estão lá, mas a densidade de sentimentos como o ciúmes, a possessividade, insegurança trazem um peso tão grande que até o mais nobre dos sentimentos não tem força suficiente para ser despertado.

Hoje uma amiga muito querida, infelizmente terminou uma relação de quase dois anos, e me disse a seguinte frase: "Preciso encontrar um homem com alma feminina. Ou irei me abster das relações. Estou cansada do ciumes doentio e possessividade, além das grosserias verbais e de atitudes machistas."

Mas o que seria esta alma feminina que ela se refere. E porque apenas feminina. O homem em sua essência não pode manifestar docilidade e sensibilidade. Tenho o orgulho de dizer que tenho alguns amigos que realmente parecem ser mais sensíveis, e não só amigos, mas consigo reconhecer esta delicadeza em muitos outros seres.

O amor, prema, é um sentimento muito maior do que o elo que é criado entre duas pessoas. O amor puro e verdadeiro talvez não possa nascer entre seres humanos, e sim desenvolvido apenas entre os seres superiores que são perfeitos em sua forma e concepção.

Isso porque quem ama não é o corpo, é a alma. A alma é Sat Chit Ananda, consciência pura. Ela sim consegue gerar este amor puro. Mas como acessar esta alma vivendo em uma sociedade como a nossa. É possível agir a partir da nossa essência e fomentar o amor pela alma das outras pessoas? Existe tal pureza entre os mortais? Não passamos a vida tentando nos esconder atrás de tantos véus?

É nadar contra a maré?

Amar é apodera-se do outro? Que sentimento é este que foi nos ensinado que para provar que existe amor, é preciso exercer algum poder regulador sobre o outro? O respeito deveria ser imposto desta forma?

Uma ótima referência para este tema vem do conhecimento primordial do amor, e ninguém melhor para tratar deste assunto que o Bhakti-Yoga, o amor devocional. A diferenciação entre o mundo material e o mundo espiritual, pode explicar muito bem o porque destes apegos. Se estamos agindo no modo da ignorância, as ações são impensadas, queremos apenas satisfazer os desejos mais grosseiros do nosso ego. Grosseiros no sentido de rudimentares, densificados. A medida que vamos avançando, estudando e praticando os aspectos práticos desta filosofia, temos a oportunidade de ver as coisas com outros olhos. E de alguma forma elevando nosso sentimento e o que geramos nas outras pessoas. Se o corpo assim já não tem tanta importância, porque que eu iria me achar dono de alguém? Se o meu próprio corpo também não me pertence. É muito estranho e mesmo aterrorizante pensar desta forma, mas não seria muito mais simples se a gente conseguisse entender que o amor não prende, que o amor liberta. Porque a maioria das pessoas ainda não compreendeu isso?

Sendo homens ou mulheres, é essencial que a gente busque o desenvolvimento pessoal, e vejo que cada vez mais, as relações, de alguma forma funcionam melhor se existe esta conexão. Se ambos estão buscando crescer como indivíduos, e não apenas olhando no seu próprio umbigo e satisfazendo este ego imperfeito.

A pratica do Yoga ajuda muito, e não porque é bonito, ou porque está na moda fazer Yoga, e porque quereremos ficar com o corpo igual o da Madonna (que até era bonito.. mas hoje tenho minhas dúvidas) nós precisamos praticar Yoga porque queremos tornar o nosso mundo melhor, nem que seja apenas dentro do bairro onde a gente vive, ou no ambiente no qual estamos socialmente inseridos. Precisamos buscar um lugar mais harmônico e mais leve para se viver. O Yoga melhora as nossas relações!

Se a gente vai salvar o mundo, realmente eu não sei. Mas precisamos fazer a nossa parte! É como aquela velha metáfora do incêndio na floresta, onde todos os animais se mobilizaram para apagar aquele fogo imenso, e o elefante que jorrava litros de água com sua tromba nas labaredas, olha para o pequeno passarinho e diz: Vem cá seu passarinho, você acha que apenas com esta gotinha de água que você pode carregar, és capaz de apagar estas chamas imensas. E o passarinho sabiamente responde: Apagar eu não sei, mas estou fazendo a minha parte!

Então sejamos passarinhos nesta floresta em chamas. Vamos buscar uma forma de sentir mais amor pelas pessoas, e deixar um pouco de lado aquilo que só nos satisfaz, ou ao nosso ego, a nossa vontade de  sermos aceitos. Vamos tentar amar sem pedir nada em troca. E nas relações conjugais, que possamos ter a sorte de encontrar parceiros com esta “alma feminina” que ao meu ver nada mais é que uma pessoa com uma certa dose de sensibilidade e segurança de quem ser quem se é!

"Todos estes que aí estão,
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!"

Mario Quintana


4 de jul de 2012

Comer, comer!!!





Comer, comer!!!


A nutrição inicia-se na vida intra-uterina e prossegue do nascimento até o fim da vida. A vida é uma contínua busca por alimento, precisamos nos alimentar diariamente para manter nosso organismo funcionando satisfatoriamente. Da nutrição deriva a produção dos 3 doshas e dos 7 dhatus (tecidos). A saúde do corpo e da mente depende de uma boa nutrição.

Nossas células estão sempre em constante renovação: cabelos, unhas, pele, ossos, sangue; sempre há células nascendo e morrendo, e a matéria-prima fundamental é o alimento que ingerimos. De acordo com fisiologia ayurvedica, cada tecido do corpo, depende diretamente do bom funcionamento de todo o organismo; o resultado disso é um corpo mais saudável, e mais resistente às doenças. Precisamos estar sempre atentos ao nosso sistema imune, resfriados que não vão embora, ou que freqüentemente nos deixam abalados, é sinal de que alguma coisa está errada. E pode confiar que é na sua alimentação!

Segundo o Dr.Paulo de Tarso, no livro chamado Medicina Integrativa – A cura pelo equilíbrio; o risco de enfermidades é minimizado com a ingestão de oito a dez porções de frutas e legumes ao longo do dia (cada porção equivale ao volume de uma bola tênis). Essa é um ótima maneira de obter todas as vitaminas, sais minerais e micronutrientes que o corpo precisa diariamente.

O alimento é aquilo que nutre o corpo, a mente e o espírito. Cada pedaço de comida precisa ser digerido pelo organismo, caso contrário, os excessos serão transformados em toxinas, ou AMA, dando inicio a uma série de doenças. Neste caso, diferente do que é dito normalmente: Você é o que você come. Deveria ser substituído por: Você é aquilo que seu organismo é capaz de digerir!

Devemos compreender que comer é um ato sagrado, uma oferenda para aplacar nosso fogo interno (Jatharagni), por isso a refeição deve ser sacralizada e ritualizada e o alimento oferecido para Deus antes de ser ingerido.

Mas nem sempre levamos em consideração este aspecto sagrado da alimentação, e comemos apenas para matar a fome, ou como uma fonte de satisfação sensorial. O ato de cometer violência ao nos alimentarmos por exemplo, é apenas uma forma de mostrar a dominação sobre as outras formas de vida.

É claro que os vegetais, legumes e frutas também são sacrificados para nos servir de alimento, mas sabemos que o animal sofre, chora e descarrega a energia do pavor e do medo na carne que mais tarde consumimos. É uma questão de escolha e também de gosto, e isso, na minha humilde opinião não se discute.

Devemos consumir os alimentos adequados às nossas verdadeiras necessidades, preparados de forma adequada para potencializar suas qualidades, em ambiente apropriado, em companhia adequada, fazendo da refeição um ritual de agradecimento e louvor à Vida.

Os alimentos também afetam a nossa forma de pensar. É uma relação direta. Quando o alimento é puro, nossa mente é pura, e desenvolve a qualidade de SATWA, que representa clareza e equilíbrio. Uma dieta composta por carnes, ovos, alimentos muito condimentados, processados, ácidos, aumentam RAJAS na mente; pensamos demais, muita agitação, dificuldade de percepção e concentração.

Quando a dieta é composta por alimentos estragados, de gosto ruim, conservados por muito tempo, ou “requentados” aumentamos TAMAS na mente: a inércia, letargia e tristeza.

 Alho e cebola por exemplo são alimentos que promovem Rajas e Tamas na mente, enraízam mais fortemente a consciência no corpo e por isso são deixados de lado pelos Yogues.

Por isso, é aconselhável estarmos sempre conscientes no momento de fazer a escolha do que colocar no prato, refletindo e manifestando o autocuidado. É claro, com a nossa vida agitada, falta de tempo, nem sempre é possível rememorar todos estes aspectos, mas se começarmos por prestar mais atenção antes de dar a primeira garfada, muita coisa pode mudar!

Procure não comer sob emoções muito fortes, tristeza, raiva, angústia. Evite as reuniões-almoço! Falar excessivamente neste momento não vai resolver sua vida e lhe trará uma boa quantidade de gases. Quanto mais colorido seu prato, maior o número de nutrientes. E ingira somente o suficiente para saciar a fome, coma devagar e evite os líquidos, principalmente gasosos. São pequenas atitudes que refletem em uma boa saúde no corpo, pele e cabelos! Comer, comer: é o melhor para poder crescer!!!

Como sugestão, acrescente este pequeno mantra para antes das refeições, não leva nem um minutinho...

aham vaisvanaro bhutva dehamasritah
pranapanasamayuktah pacamyannam caturvidham

Residindo no corpo de todos os seres como o fogo digestivo, 
Unido ao sistema fisiológico, o Senhor digere todos os tipos de comida.


Namastê!