19 de ago de 2011


O quão poderoso é nosso poder de transformação?

O DNA que é formado a partir das células dos nossos pais, desenha a nossa forma mais primitiva.

Durante o desenvolvimento do feto, toda a carga genética vai sendo impressa nas características físicas e também emocionais da criança. Ao nascer temos a ideia de que a vida está apenas se iniciando, tudo é novo!

Mas hoje já sabemos que não é bem assim. Além das informações genéticas trazidas pelos cromossomos dos progenitores, também somos formados pela influência de nossos ancestrais e de vidas anteriores.

O Ayurveda diz que somos o resultado de todos os hábitos praticados por gerações e gerações. Nossa saúde e constituição é o produto de tudo aquilo que foi feito, digerido e vivenciado por varias vidas anteriores. Ao olhar o corpo de alguém, você esta olhando para o passado! Ok, você pode pensar: “Nossa! Isso é injusto; afinal eu não tenho culpa se meus familiares tiveram maus hábitos alimentares durante a passagem deles aqui na terra! Ou mesmo se em vidas anteriores eu fui uma pessoa má, porque eu tenho que pagar isso agora?

Não quero entrar na discussão espírita, ou religiosa, isso já é muito falado e também devidamente discutido por quem realmente entende do assunto. A minha ideia é apresentar o que podemos fazer para nos libertar desta roda de encarnações (Samsara em sânscrito) e não sofrer tanto com todas as influências que estão acima da nossa vontade.

O primeiro passo é procurar um astrólogo (o Ayurveda esta associado com a astrologia védica) que vai apresentar todo o panorama do céu no dia do seu nascimento. Além disso você terá como visualizar todas as influências que regem seus signos e quais os planetas exercem mais força ou tiram a sua força. Com isso já dá para ter uma ideia do nosso Karma, que é o assunto principal deste artigo.

Trazendo novamente a referencia do Ayurveda, o primeiro sloka (versos) do importante compêndio Astanga Hrdayam, diz o seguinte: Obeisances to Apoorna Vaidya (saudações ao raro, único, físico); who has destroyed, without any residue, all the diseases like raga (aquele que destruiu, sem resíduos, todas as doenças como raga_paixão ou desejo). Na sequência ele apresenta mais alguns significados ou componentes de raga como: a ganância, raiva, arrogância, inveja, medo e outras emoções ruins.

E descreve também dois tipo de Karma: Punya e Papa, o bom e o mal Karma respectivamente.

O bom Karma inclui o Dharma (virtudes) que são as ações positivas e os bons pensamentos. Estando mais perto do bom Dharma, podemos também mudar ou atenuar a força do nosso Karma. É por isso que o tratamento para a cura de uma doença não deve levar em consideração apenas a parte física do indiviuo, ou focar apenas nos sintomas externos da doença; e sim, qual o seu Karma e como ele esta agindo; qual o seu comportamento e padrão mental (gunas). Esta é a grande diferença entre o Ayurveda e a medicina tradicional.

Mais um motivo para se aproximar de técnicas como o Yoga e a meditação; que vão lhe auxiliar no processo do auto-conhecimento. As técnicas são como guias, que conduzem a uma jornada interna. Nos ajudam a perceber os padrões viciados do nosso comportamento. Como eu sempre digo, você pode fazer um belo tratamento ayurvédico, ficar bem “limpinho” mas se você não mantiver uma prática espiritual adequada e disciplinada, tudo que está na raiz do seu Karma uma hora ou outra virá a tona, e você vai esquecer de tudo que aprendeu e voltar aos velhos hábitos, tanto físicos quanto mentais!

Este grande físico citado no sloka, é Dhanwantarie, aquele que tem o poder de remover os maus Karmas e purificar o corpo. O veiculo para esta purificação, ou seja, o caminho para entrar em conexão com Ele e remover esta tendência, é através dos mantras! A vocalização regular dos mantras nos aproxima do divino. Cria um ambiente interno de paz e de silêncio, todo mundo pode se beneficiar: não tem preço, não precisa pegar o carro nem pagar estacionamento! De tão simples a gente chega até a duvidar se ele é realmente efetivo! Mas só quem o pratica pode ter ideia do poder de transformação dos mantras.

Se você não esta habituado ao sânscrito ou não conhece nenhum mantra, simplismente vocalize o mantra OM. Sente-se numa posição confortável e mentalmente repita o mantra, uma vez na inspiração e outra na exalação. Procure estabelecer uma prática diária, vocalizando sempre o mesmo número de vezes sem interrupções, de manhã e a noite. Num segundo momento, com a ajuda de um profissional da astrologia, é possível fazer os mantras de cada planeta, ajudando a atenuar ou fortalecendo os efeitos dos mesmos. Aos terapeutas de Ayurveda ou mesmo quem está se submentendo a qualquer tratamento, o mais indicado é fazer o mantra à Lord Dhanwantarie.

Mangalam! Rezar para Deus, pedir proteção contra todos os bloqueios!

Então, que possamos expandir nossa consciência e ver o quão importante são estas práticas. Procure estar sempre próximo de pessoas boas, nutrir-se com alimentos frescos, não cultivar a inveja, a arrogância, o medo e a raiva. Afastando-se dos pensamentos negativos, drogas, e ambientes com baixa vibração.

Cito uma frase que recentemente ouvi e foi muito esclarecedora:
“Se você não acredita em Deus, a única certeza que você  tem é a da morte. A escolha é sua, se quiser ficar perto de Deus ou mais perto da morte!”

Namaskar


4 de ago de 2011

A mulher na Índia, é feliz?

Dando sequência as minhas análises iniciadas pelo facebook, sobre as profundas e interessantes conversas sobre sexualidade com minha professora de sânscrito, achei bacana escrever e colocar em pauta um pouco mais sobre este "choque cultural" que estou vivenciando por aqui! Agradeço ao meu amigo João Luís pela sugestão, e todos aqueles que me acompanham por esta vida tão maluca!

Quando falamos em cultura e hábitos de vida, já temos uma ideia pré-estabelecida de como os povos se relacionam com os mais diferentes aspectos da vida. Quando falamos de Oriente, e no caso Índia, a imagem que nos vem a cabeça é de uma sociedade extremamente reguladora, onde a mulher é vista apenas como um ser a serviço do homem e da casa. Sem direitos, mas cheia de deveres. Fica realmente difícil de imaginar se estas mulheres são realmente felizes.

A elas não é dado o direito de escolher o marido, no caso dos casamentos arranjados (que ainda são em maioria por aqui, principalmente no Sul que é uma região mais conservadora) quem escolhe o pretendente é a família, de acordo com os valores e qualidades que eles acham importante que o futuro noivo deva ter.

E o casamento é visto por muitas mulheres como uma meta a ser seguida. Tenho lido diversas publicações regionais; revistas que cumprem o mesmo papel da nossa conhecida Revista Nova, que fala mais abertamente sobre sexualidade e assuntos do universo feminino, e estas revistas valorizam muito a união matrimonial. Existem seções dedicas as leitores onde histórias de amor, de heroísmo dos seus homens são contadas as outras mulheres, que sonham e almejam pelo grande dia do casamento.

Elas estudam, são preparadas pela família para se tornarem mulheres inteligentes e interessantes. Ai, chega um dado momento em que elas desistem da carreira, muitas vezes extremamente bem sucedidas, e partem para este novo desafio em suas vidas. Felizmente hoje, existem algumas famílias que aceitam os "Love Marriages" onde a menina tem um namorado e futuramente se casa com ele; ou mesmo tem a opção de adiarem seus planos para dedicar mais tempo as suas carreiras. Mas ainda são em minoria por aqui!

No geral, a partir do momento em que o casamento acontece, uma nova etapa se inicia. A construção da família. Esta etapa é também vista de uma maneira bem diferente do que estamos acostumados a ver. Hoje em dia, a mulher busca se equiparar com os homens, tendo as mesmas oportunidades profissionais, os mesmos salários, enfim. Aqui, a base da casa é homem, ele é a coluna estrutural da famila. O responsável por manter a honra e o nome da familia perante a sociedade.

Fiquei muito impressionada, quando dias atrás estava lendo no jornal uma história sobre uma família aqui de Coimbatore, que havia desaparecido. Dias depois eles encontram na casa um bilhete escrito pelo pai, onde ele explicava que estava com muita vergonha pois ele havia feito muitas dividas e não tinha dinheiro para pagar. Pessoas estavam o cobrando pelo pagamento! Por não conseguir aguentar mais esta situação, ele fugiu com toda a familia para um outro local onde ele iria tirar a sua vida, da esposa e dos dois filhos pequenos, pois com tanta desonra era impossível continuar vivendo. Como ele iria encarar seus amigos e seus familiares?

Isso é algo comum por aqui, segundo meus professores, a cada ano mais de 30 casos como este são noticiados!

Mas, fazendo um link com o tema principal do texto, será que a mulher aqui é feliz?

Eu diria que sim, pois tudo é baseado na familia! E não tem amor maior no mundo do que o amor que sentimos pelos filhos e pelo homem que passa a vida toda procurando trazer o oferecer o que há de melhor no mundo para a sua esposa. A mulher, diferentemente do que pensamos, é vista como uma Deusa, a responsável por manter a energia do lar. E isso não é menosprezar ninguém não! Aqui, elas dizem: primeiro o casamento, e depois o amor! Ou seja, o amor vai sendo construído aos poucos, a cada dia! As familias são extremamente unidas! As mães são muito, mas muito carinhosas e afetivas com seus filhos (eles amam bebês). E para tudo existe um ritual, uma cerimonia; na minha opinião estes rituais são o que sacralizam a cultura. Quando fazemos um ritual, algo esta sendo marcado! E isso é eterno.

Outro ponto interessante é sobre o divórcio. Aqui a mulher tem total direito de se divorciar se ela comprovar que o marido a trata mal, com violência ou é adepto do uso de álcool. Sim existem delegacias especializadas nos direitos da mulher! Um dia, fui visitar a casa de familia e uma grande confusão estava acontecendo, era gente gritando pra todo lado! Uma mulher, que morava na cercania, havia se casado a alguns dias, e o marido resolveu sair e encher a cara. Resultado, no dia seguinte ela foi à polícia e havia pedido o divórcio! Desonra, sim, mas para o pudim de cachaça que trocou a mulher pela boêmia!

Continuando: O sexo também não é o mais importante, muitas vezes ele é visto apenas como um meio para a reprodução, para ter filhos. Perdas e ganhos não é mesmo? Afinal, se não passássemos tanto tempo da nossa vida preocupados com o prazer sensorial, com os prazeres da carne, sobraria muito mais tempo para outras coisas não é? A união entre homem e mulher é algo além do carnal, é união de almas. A gente não vê por aqui casais de mãos dadas, demonstrando afeto em lugares públicos; isso é algo reservado somente para os momentos de intimidade, e a gente vê casais tão afetivos, que adoram valorizar o sexo e a grande química que rola, mas no fundo eles não tem a mínima intimidade! Não são capazes de conversar e se entender!

Então amigos, sem sombra de dúvida eu digo que a mulher é feliz aqui sim! De uma maneira diferente, não aos nossos olhos ocidentais! Afinal, em que religião existe, tantas Deusas quanto no hinduísmo? Tantas mulheres adoradas e abençoadas.

Pobre Maria Madalena, tão apedrejada e criticada pelos costumes cristãos...

É isso aí, temos muito, mas muito o que aprender com os indianos....Namaste! :)