20 de jun de 2012

A Ciência à favor




A Ciência à favor


Dando seguimento ao último texto escrito, e na constante observação dos fatos do dia a dia, vamos um pouco mais além na teoria de receptor e emissor. Para os comunicadores de plantão, eu não estou me referindo as teorias de comunicação de massa, mas sim, na possibilidade de bebermos diretamente da fonte sem o uso de intermediários.

É muito comum que o árduo trabalho de cientistas venha a nos fornecer uma série de informações sobre aquilo que desconhecemos, não sabemos a causa, e muitas vezes nem as consequências. É um trabalho honrável, árduo, de pessoas que dedicam as suas vidas a descobrir as diversas expressões da natureza humana e o alivio de suas aflições.

Agora, é tão comum a gente se deparar com pessoas, que por uma certa falta de informação, ou mesmo por desacreditar em textos antigos, precisem provar teorias que já foram descritas há milênios, e comprovadas na prática ao longo dos anos.

Estava assistindo um programa na televisão fechada (mais especificamente Canal 20 da Net) e me deparo com uma entrevista de um físico (que não vou citar nomes) que veio a um recente congresso aqui no Rio Grande Sul, e trouxe consigo alguns estudos. A entrevistadora entusiasmada com aquela grande oportunidade, lhe faz a seguinte pergunta: Dr.Fulano, qual a “grande” novidade ou descoberta da ciência que o senhor trouxe para o evento? 

A “grande” descoberta foi a recente pesquisa realizada com monges budistas, onde eletrodos foram colados em suas cabeças para “provar” que durante a meditação, as ondas cerebrais entravam em uma frequência diferente, mais reduzida. A comum troca de impulsos entre os dois hemisférios direto e esquerdo diminuíam de intensidade; e em meditadores de longo prazo, ocorria um fenômeno chamado “neuroplasticidade” (quem quiser se aprofundar no assunto sugiro o Google, ou outro livro de neurociência...).

Realmente o assunto é muito interessante. De maneira alguma eu pretendo diminuir a relevância de um trabalho como esse. Que bom que a ciência moderna está abrindo os olhos para as terapias alternativas; inclusive levando estas ciências para dentro dos hospitais: área denominada de Medicina Integrativa. Tem dado excelentes resultados. É oferececido atenção especial, por meio de equipe multiprofissional, às pessoas que passaram pelo tratamento de câncer, restabelecendo a qualidade de vida destes pacientes.

Mérito do Dr.Andrew Weil, seu  trabalho pioneiro tem servido de referência para os sistemas de saúde no Brasil: propõe mudanças de dieta com base em alimentos capazes de reduzir o efeito das inflamações, retira completamente o uso das carnes, ensina hábitos de vida saudáveis; e aposta em e atividades como Yoga e meditação para alivar sintomas de depressão e proporcionar uma chance ao auto-estudo; além do uso da acupuntura e reiki  para os pacientes em recuperação de grandes centros hospitalares dos EUA.

O ponto aqui é: você não precisa ser um cientista, um acadêmico ou ter qualquer tipo de envolvimento com alguma instituição de ensino superior para ter acesso a este tipo de informação. A raiz de todo este conhecimento, a fonte emissora, está disponível, a qualquer hora e local. Um dos textos clássicos do Yoga, onde foi descrita por Patanjali toda a base desta ciência, se chama Yoga Sutra. E pasmem, o segundo aforismo (forma como estes textos antigos eram escritos) nos diz que o objetivo do Yoga é a sucessão das ondas mentais. E isso foi escrito há mais de cinco mil anos. Mas, precisamos colocar eletrodos nos monges para ter certeza que isso realmente acontece!

E como eles sabiam disso naquela época? Como eles realizaram esta “grande descoberta” que hoje é comemorada nos simpósios científicos! Sem nenhum tipo de recurso eletrônico!?!

O Yoga tem sofrido uma série de deturpações ao longo do tempo. Uns que acreditam, e se satisfazem apenas com os resultados no nível material, no corpo físico; outros usam este artifício para conquistas de parceiros sexuais e por aí vai uma série de más interpretações que não cabe citar aqui.

O que eu posso dizer por experiência própria, é o que Yoga te leva aonde você quer chegar. Ele tem a profundidade que você deseja alcançar e te acompanha o quanto profundo você desejar ir.

Controlando nosso corpo e a nossa mente, somos capazes de controlar a energia vital, o Prana, e sopro de energia viva que existe dentro de nós. A grande maioria do sofrimento que a Era em que vivemos nos condiciona, pode ser atenuada com este controle. Quando ficamos preocupados, tensos, agitados, a primeira reação é o aumento do ritmo da respiração. Por uma descarga elétrica originada no Sistema Nervoso Central, uma grande dose de adrenalina toma conta das veias e aumenta o ciclo das batidas do coração. É instinto, sobrevivência.

Mas a todo momento passar por este tipo de situação, tende a desgastar o corpo, pois o usamos de forma excessiva. Ter este controle, e poupar nossa respiração, tornando-a mais longa e consciente, reflete um estado de equilíbrio e equanimidade. Pouparemos nossa energia para o momento que realmente precisarmos. Assim como todos os recursos que hoje sustentam a nossa existência: alimento, água, luz, calor; o corpo também também possui um tempo de vida limitado, e precisamos estar atentos aos desgastes desnecessários.

Já estamos expostos a um mar de informação, poluição visual e sonora. Encontrar momentos de silêncio esta se tornando cada vez mais raro. Que pena, algo tão natural, orgânico, foi engolido pelo tumulto dos grandes centros, e até a mesmo a Índia, quem foi sabe o estresse que é para os sentidos circular naquelas avenidas; mas a cultura do silencio está lá, e é habitual procurar voltar-se para momentos de pura observação.

Com eletrodos ou não, o Yoga na minha humilde opinião, será comprovado na prática, na disciplina do dia a dia, na auto-observação. A ciência é uma aliada, e precisamos muito dela para enxergar o que está além da capacidade de nosso olhar. Mas porque não buscar esta literatura ancestral, que é a fonte de todo este conhecimento, e aceitar como válido o que foi escrito há tantos milênios!

Desculpe a audácia da comparação, mas ninguém até hoje colocou eletrodos na cabeça das beatas da igreja católica para saber se rezar o terço as deixas mais tranquilas...

É tudo muito mais simples do que imaginamos, como diria um sábio ancestral brasileiro: Tudo é questão de manter, a mente quieta, a espinha ereta, e o coração tranquilo!

OM TAT SAT