29 de jun de 2011


Dharmo Rakshati, Rashita:
(proteja seu dharma, e o dharma irá te protejer).

Bem amigos, vou contar para vocês uma história impressionante que aconteceu comigo dias atrás.

Desde que cheguei na Índia fui dominada por um forte sentimento de dor e tristeza pela pobreza; pessoas doentes pedindo dinheiro pelas ruas e muitos animais abandonados, sem ter onde beber água num calor de mais de 45graus!

Por um momento eu pensei que era sensível demais para poder conviver e lidar com este tipo de situação; não que eu não veja isso acontecer no Brasil, mas é que vivendo aqui, andando diariamente pelas ruas, e é claro, já sensibilizada por todo o contexto de estar num lugar como este, pensei que seria demais pra mim, que não iria aguentar, ou que então, precisava fazer alguma coisa, mesmo que muito pequena.

Sai por aí, durante as tardes tentando deixar um potinho com água para os cães próximo do hospital, eles tem muito medo de gente, pois devem estar mais habituados a alguém chegar para fazer algum mal, do que bem, e também levar algumas sobras das nossas refeições, que não temos como guardar porque não temos refrigerador.

Na volta da escola, indo para casa, eu estava com um potinho de comida com uma mistura de abóbora e batata, mas em todo o trajeto que fiz pela manhã não havia encontrado nenhum animal (parece mentira, mas quando a gente tem comida as vezes não encontra); e fui para a aula com o pote na bolsa. Na volta, ao passar por um lixão, eu e meus colegas nos deparamos com esta cachorrinha, chorando muito forte, abandonada no meio do lixo; coberta de sujeira e moscas ao redor. Ela chorava muito de fome!

Eu neste momento, só consegui sentar no chão e começar a chorar! Porque fiquei muito triste ao ver esta cena, a sorte que estava com o potinho de comida e consegui dar alguns pedacinhos de batata para ela comer, e compramos leite também!

Bom, e agora? Eu moro no Brasil? Como vou fazer? Deixar ela aqui sozinha? Ela não tem como sobreviver nas ruas, é muito pequena! Perguntei para algumas pessoas que moravam perto deste local, mas elas não queriam nem saber! Eu entendo, é complicado, é mais um gasto para eles! Comecei a ficar bem preocupada!

Enrolei a cachorrinha num cobertor e aos prantos levei ela para o hospital, pensando que com muita sorte alguém poderia se interessar e ficar com ela! Mas eu sabia que seria muito difícil, pois a pobreza aqui é um grande problema, e eles não querem animais para ter que gastar mais dinheiro! Seria uma missão impossível! Mas não poderia ter deixado a cachorrinha no lixo! Confiei em Deus, e levei ela comigo!

Chegando no hospital (lugar que é totalmente proibido a presença de animais), mostrei a pequena para os meninos que trabalham lá! Ninguém se interessou! Todos foram muito carinhosos, mas entendi a expressão e sentimento de que seria muito complicado para eles, muitos moram em outras cidades e passam a semana ali trabalhando!

Até que um deles ao ver meu desespero disse que ficaria com ela, que levaria ela para casa! Nossa, eu fiquei tão feliz, mas tão feliz que não sabia como agradecer! Dei um dinheiro a ele e comprei 7kilos de ração! Porque eu sei que é complicado para eles gastarem com isso! Fiquei muito feliz e agradecida por este gesto! Viva!!!

No dia seguinte voltei lá, e ela estava limpinha e muito feliz esperando ir para a casa nova!!! Até com uma correntinha no pescoço! O menino disse que levaria ela para a casa dele no final da semana! Beleza né, era só esperar!

Mas o tempo passou e nada da cachorrinha sair de lá, e acredito que depois de um tempo ele parou de dar leite para ela, e a ração que eu comprei, mesmo sendo para filhotes era muito grande para ela mastigar! Então, todo o dia antes da aula eu levava leite e deixava a raçãozinha de molho e dava na boca dela no final da aula! Dias depois soube pela minha professora que o menino havia desistido de ficar com ela! Pânico! Ela não poderia ficar mais no hospital porque pacientes estavam para chegar! O que fazer?!!?

A sorte é que minha professora é um anjo, se preocupou com a história e conseguiu que ela fosse adotada por uma família que mora ao lado do hospital! O filho deles, um menino de 6 anos, todo dia ia lá no portão brincar com a cachorrinha, e minha professora perguntou se ele não queria ficar com ela! Ele perguntou para seus pais, se tudo bem (até saber a resposta vocês já imaginam como eu fiquei), e hoje ele foi busca-la! A parte ruim é que eu não estava lá para me despedir, mas sei que de alguma forma ela sempre vai lembrar de mim!

História com final feliz! Sei que não podemos salvar todos os bichinhos do mundo, por mais que a gente queira muito! Mas cada história como essa só preenche nosso coração de alegria e esperança! Seja em qualquer lugar do mundo! Meus parabéns a quem dedica a sua vida neste trabalho tão bonito de adoção de animais! Que a luz continue iluminando a vida de todos vocês!

Faça sempre aquilo que lhe parece bom! E seu dharma irá te protejer! Boas ações são como um escudo de proteção!

Segue as fotinhos desta fofa para vocês comemorarem comigo! Antes de depois!

Agora já deve estar na casinha nova brincando com seu novo amigo!








Final Feliz! :)










19 de jun de 2011

Galeria de Bhayoga

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Mais fotos pelo Flickr!



Boa sorte!

Posso dizer que tive muita sorte desde que cheguei na Índia, conheci pessoas muito especiais. Aqui apresento meus dois parceiros de curso, aulas e viagens. Dui e Larrisa. Ambos da Europa, Larissa é de Luxemburgo, uma cidade de aproximadamente 500mil habitantes e Dui é de Bruxelas, mas ambos são cidãdões do mundo! Uma hora em cada lugar!

Larrisa quase nunca fica em Luxemburgo, está na Índia desde fevereiro e esta é quinta vez que ela vem ao país, estudante de antropologia, esta agora dedicada ao estudo de Ayurveda e do Yoga, tem apenas 24 anos mas muita maturidade. Já sabe o que quer, está decidida a voltar mais vezes a Índia e se aprofundar cada vez mais. Dui era jardineito, formado em Arquitetura, veio passar um ano na Índia, há algum tempo atrás morou na Tailândia, e andou por lugares como Cambodja, Vietnã, Mongólia entre outros lugares que passamos a vida (pelo menos eu...) muito curiosos em conhecer!

Esta troca de experiência está sendo incrível, pois somos de lugares tão diferentes mas pensamos de maneira tão parecida! É claro, no fundo cada um de nós tem um parafusinho a menos (ou a mais...vai saber) por querer viver e ter um aprendizado em lugares tão diferentes e tão distantes daqueles em que nascemos.

Viajar te permite ficar conectado com pessoas tão diferentes, mas com objetivos tão parecidos. Não sei se minha alma é assim tão solta e desprendida quanto a deles; mas mesmo com estas diferenças poder passar estes momentos, esta fase tão especial da minha vida ao lado deles tem sido um grande presente e um belo aprendizado para mim!

Esta foto foi tirada em uma café na região de Ooty, fica entre Kannor e Kallar. É uma região montanhosa, que fica apenas há 90km de distância de Coimbatore mas a temperatura chega a quase 15graus de diferença. Estava sentindo falta do friozinho que está fazendo aí Brasil. Guardem vinho e fundoe pra mim!!!!

Muitas plantações de café e chá, nas famosas montanhas de Nilgiris. Podemos experimentar uma variedade chás orgânicos produzidos e cultivados nestas fazenda! Vistamos também o museu da abelha, um lugar muito especial que cultiva e preserva o patrimonio de uma civilização que vive e se sustenta da venda de mel. O mel é colhido pelas maõs de homens muito corajosos que escalam montanhas extremamente altas para colher este néctar. São chamados Kukumbas, um povo muito pobre, que só agora tem apoio do governo e consegue ganhar um pouco mais pela venda do mel. Para vocês terem uma idéia, 1kg de mel puríssimo, extraído artesanalmente era vendido por R$0,30 a garrafa, e eles levavam semanas para colher e preparar para a venda uma quantidade muito pequena de mel. Muitas vezes de variedades de plantas que só florescem de 12 em 12 anos (eu comprei esse!!!). É impressionante!

Seguem algumas fotos do lugar!


   Gren Tea Shop: Uma loja de produtos orgânicos incrível! Na parte de cima é o Museu da Abelha!


   Ooty

   The Nilgirs, plantações de chá e café!

   A cidade, rodeada por montanhas!  

12 de jun de 2011


Ser terapeuta...

Aqui está uma imagem que achei muito legal! Estas meninas trabalham para o hospital aqui em Coimbatore, como terapeutas de ayurveda. Não sei exatamente por quanto tempo elas estudaram, acredito que muitas acabaram de sair da escola, mas é tão legal ver o quanto elas gostam e se interessam em aprender!

Elas não tem um conhecimento muito profundo sobre a clinica, diagnóstico e objetivos dos tratamentos, elas apenas aplicam nos pacientes que lá estão internados, os tratamentos preparatórios dos Pancha Karmas (cinco ações de desintoxicação).

Mas é muito interessante este contato com elas, porque mesmo não sendo uma troca no plano teórico, trocamos muitas experiências; elas tem muita pratica, muita habilidade e aplicam diversos tratamentos diferente diariamente; sempre com aquele jeito meigo, sorridente e brincalhão!

A minha busca, e a dos meus colegas tenho certeza, é ir muito mais além da aplicação da técnica; precisamos conhecer e entender muito bem o funcionamento do corpo e dos seus sistemas e todos os estágios das doenças, para aplicar o tratamento certo, na dose certa e na hora certa.

Pois mesmo sendo a base do ayurveda o uso de produtos e elementos da  natureza, a chave para a saúde e a cura está na quantidade, em acertar a dose que aquele paciente precisa e consegue metabolizar, pois do contrário, o tratamento pode ser muito danoso à saúde!

Além disso, existe aquele conhecimento que está além do fisiológico, que na minha opinião é um grande auxiliar na cura, o corpo astral, energético! Muitas vezes ao aplicar uma massagem a gente consegue sentir a energia do paciente, se a frequência é alta ou baixa, e do que ele está precisando. Com um pouquinho mais de técnica; e hoje existem várias linhas de estudo deste "corpo emocional", podemos neste momento conversar com o corpo, deixar fluir por um canal muito especial a energia que está presente no cosmos. E renovar, limpar os canais obstruídos pela dor ou pela doença. É um trabalho muito sutil, que exige muita presença!

Isso infelizmente não se aprende na escola! É, na minha visão, a devoção! Estar presente de corpo na alma quando estamos diante de alguém, que esta ali, de corpo aberto e solicitando pela nossa ajuda!

Estou muito feliz que estar aqui, e poder ver vários lados de uma mesma moeda! De ser terapeuta, cuidador, e humano, assim como estas meninas, que mesmo sem saber, absolutamente nada sobre isso que estou falando, ajudam muita gente! Pois é visível o quanto elas gostam do que fazem! É tudo união! Yoga! Ser completo, no que for possível!



Preserve!


Na última semana, tivemos uma aula especial! Fora das paredes da sala de aula, fomos conhecer a fábrica onde os óleos medicados são fabricados, é um lugar muito especial chamado Medicinal Plant Conservation Park, em Kanjikode, próximo de Coimbatore.

Este lugar foi construído com a intenção de preservar as espécies de plantas medicinais habitualmente usados no Ayurveda, na forma de óleo, decoccção, pílulas, etc. Todas as plantas mais utilizadas estão lá; e o mais interessante é que todo o jardim foi construído e organizado pelo uso medicinal da planta, se a formulação do remédio usa 10 tipos de plantas diferentes, você encontra um local, com a plaquinha descrevendo o nome da fórmula, o nome em sânscrito e o nome científico! Muito bacana!

Como qualquer outro recurso natural, um dia estas tão especiais espécies correm o risco de acabar! E como será o futuro do Ayurveda então? É muito importante iniciativas como esta, e sei que em outras partes da Índia onde o Ayurveda é muito utilizado, existem alguns jardins como este; não só isso, ter a oportunidade de visualizar todas as plantas que nós estudantes sempre ouvimos falar, mas nunca tivemos a oportunidade de sentir, cheirar e tocar é muito bom!

A natureza é farta dela podemos extrair o elixir da vida e da saúde, mas sem preservação e consciência, um
dia olharemos para trás e com lágrimas nos olhos iremos nos arrepender (ou nossos filhos,bem possível) de não ter sido tão cuidadosos!

Preserve seu futuro!

PS: Mais uma da série, abrançando árvores pelo mundo!!!

 

7 de jun de 2011



Cada segundo!

Inicialmente queria agradecer aos meus queridos amigos, leitores, irmãos, que me cutucaram nestes últimos dias!!! Desculpe pessoal, fiquei realmente um tempo sem escrever depois que eu cheguei aqui na Índia, mas tudo tem um porque!

Os primeiros dias não foram nada fáceis para mim, o choque inicial, a adaptação com um novo estilo de vida, de alimentação, de rotina, tudo! Mesmo que eu tenha planejado e desejado isso, quando acontece é completamente diferente! O corpo sofre com a adaptação ao calor, tive náuseas, vômitos constantes, não conseguia me alimentar, a saudade de quem ficou era como uma faca no meu coração... enfim, não foi nada fácil! Confesso: blog é algo pessoal não é mesmo!? Chorei bastante nos primeiros dias, mas como uma pessoa muito querida me falou, eu cheguei na Índia na época das chuvas, são as monções, então, deixa chover, deixa molhar, chorar é bom porque libera!

Mas, depois da chuva sempre vem a bonança! E agora eu consigo enxergar os meus propósitos por estar aqui, e isto só me deixa a cada dia mais feliz! A escola é incrível, os professores sempre amáveis e preocupados com o nosso bem-estar, e sempre com aquele jeitinho meigo de balançar a cabeça quando falam, sempre com um sorriso no rosto, uma palavra amiga, não tenho palavras para descrever a hospitalidade por aqui! Que honra!

Alguns também me falaram que a Índia me traria muitos presentes! E realmente, o primeiro foi a oportunidade de conhecer uma pessoa muito especial, foi alguém que me ajudou muito neste inicio de caminhada, me deu colo, ombro, ouvido, perna...tudo! Um anjo, com certeza!

E todo o dia aprendemos alguma nova lição, que não é relacionado com a teoria da medicina ayurvédica diretamente, e sim lições de vida, experiências de quem nasceu, cresceu e se desenvolveu nesta cultura tão diferente da nossa! Em umas dessas conversas, algo me marcou muito, foi a seguinte frase: Cada segundo da vida, é uma meditação!

Se ficarmos atentos a estas palavras, e entender o que está por trás delas, um grande aprendizado se apresenta: não há tempo para a tristeza, afinal tudo é aprendizado, tudo é divino, temos que receber tudo com muito amor, mesmo que seja a dor, mesmo que seja o sofrimento, porque cada respiração, cada segundo faz parte da meditação da vida, do milagre da vida, então não há porque sofrer!

Isto se encaixou como uma luva para mim, pois o momento era de extrema fragilidade e fraqueza, mas tive a oportunidade de observar, de ir mais fundo no que estava sentindo! É lógico que doí, deixei muita coisa para trás, minha casa, meu amor, minha família para ingressar nesta nova jornada, então, não há porque sofrer! Mesmo quando eu voltar para o Brasil, e tiver sentada na minha sala, não fazendo nada; aparentemente; vou saber que estou fazendo muito, muita coisa está acontecendo ao mesmo tempo dentro de mim! Seria isso o contentamento? Sabe quando você olha para alguém e você consegue sentir, sim, esta pessoa é feliz, é uma calmaria interna, algo que já está lá! Eu acho que é um pouco esta aceitação, aceitar o que é bom e o que é ruim, sabendo que cada segundo é divino!

Enfim, que divino seja! Divinas experiências ainda estão por vir! Vou estar aqui, de peito aberto, pronta para aprender, e crescer! Sempre!

Namaste