3 de nov de 2013

Ida e Pingala Nadis - Equilibrio na prática




A consciência das nadis Ida e Pingala pode ajuda-lo a desenvolver o equilíbrio na prática e clarear o caminho para seu crescimento espiritual.

Por Jaymes Bailey

Um estudante do grande poeta Indiano Kabir uma vez perguntou a ele: “Kabir, onde Deus está?”  Sua resposta foi simples: “ Ele é a respiração dentro da respiração”. Para entender a profunda implicação da resposta de Kabir, nós precisamos olhar através dos componentes físicos da respiração – o oxigênio, dióxido de carbono, e outras moléculas que percorrem cada inalação e exalação. Por trás desta respiração- e junto com ela, está o prana, a energia vital do universo que é literalmente a causa da vida.

Para aqueles que praticam Yoga, o desafio é aproveitar esta energia para que ela sirva de combustível para a nossa mente, corpo e desenvolvimento espiritual. Para fazer isso, nós precisamos olhar dentro dos mistérios da mente e do corpo sutil. Felizmente, os antigos praticantes do Tantra viajaram nesta paisagem interior, mapeando as diferentes formas de como esta energia circula dentro de nós. Entre suas descobertas as mais importantes foram as Nadis, o vasto canal de energia que torna cada indivíduo um ser integrado, consciente e completo.

A palavra Sânscrita Nadi deriva da raiz Nad, que significa “flow” “movimento” ou vibração. A palavra por si só sugere a natureza fundamental de uma Nadi: Fluir como a água, encontrando o caminho de menor resistência, e nutrindo tudo neste caminho. As nadis são nosso sistema energético de irrigação; em resumo, eles nos mantém vivos.

De acordo com vários textos Tântricos, o corpo humano contem 72.000 nadis, que são canais de prana para cada célula. Alguns são largos e tem um fluxo rápido, outros são meros gotejamentos. Quando este sistema flui livremente, nos sentimos vivos e saudáveis; quando ele se torna fraco ou congestionado , enfraquecemos a saúde física e mental. As práticas de Hatha Yoga são tão efetivas porque elas aumentam a força do fluxo do prana no nosso corpo, revigorando e removendo possíveis obstruções que bloqueiam a fluidez desta energia.

Por causa das Nadis, assim como os chakras (psicoenergético centro de energia) prana, e outros aspectos do corpo sutil, não aparecerem sob os microscópios, a ciência médica os renegou, a algo somente metafórico. Mas yoguis tradicionais acreditam que o corpo sutil é real, e compreende-lo e trabalhar com ele equilibram a ênfase na anatomia apenas física que é predominante na cultura do Yoga nos tempos atuais.

Dia e Noite

Três nadis são particularmente importantes e de interesse aos Yoguis. O Sushumna (o mais gracioso) Nadi é grande rio do corpo, correndo da base da coluna até o topo da cabeça, passando através de cada um dos sete chakras neste percurso. Este é o canal por onde a Kundalini Shakti (o poder latente da serpente) ascende. Deste sitio original que é o muladhara (raiz) chakra para a sua real morada no Sahashara (mil vezes maior) chakra no topo da cabeça. Em termos de corpo sutil, o sushumna nadi é o caminho para a iluminação.

O Ida e o Pingala nadis se encontram espiralando em torno do sushuman nadi, como as duplas hélices do DNA, cruzando cada um dos chakras. Se você visualizar o caduceu, o símbolo da medicina moderna, você vai ter uma boa ideia da relação entre ida, pingala e sushumna nadis. Eventualmente, os três se encontram no Ajna (comando) chakra, no meio das sobrancelhas.

O Ida Nadi começa e termina do lado esquerdo do sushumna. Ida é conhecido como a Nadi lunar, fria e nutrida pela natureza, e é também a controladora dos processos mentais e dos aspectos mais femininos da nossa personalidade. A cor branca é usada para representar a qualidade da vibração sutil de Ida. Pingala, a Nadi solar, começa e termina no lado direito do Sushumna. Ela é aquecida e estimulada por natureza, controla todos dos processos somáticos e supervisiona mais os aspectos masculinos da nossa personalidade. A qualidade vibracional da energia sutil de Pingala é representada pela cor vermelha.

A interação entre Ida e Pingala corresponde a dança interna entre a razão e a intuição, consciência e o poder vital, e os hemisférios direito e esquerdo do corpo. No dia a dia, uma das nadis é sempre dominante. Mas esta dominância se altera ao longo do dia, uma Nadi tem a tendência de ser mais ascendente e por um maior período do que a outra. Isto tem uma influencia na nossa personalidade, comportamento, e questões de saúde que podem ser associadas a cada um dos canais, criando o termo “tipos Ida” e “tipos Pingala”.

Os indivíduos do tipo Ida, tem qualidades lunares e nutritivas, mas talvez eles não consigam manter sua energia para sustentar uma pratica mais vigorosa de Yoga. Eles estão cheios de potencial , a menos que eles desenvolvam seu lado Pingala, talvez eles nunca manifestem este potencial, tanto em assuntos mundanos ou no desenvolvimento espiritual. Indivíduos do tipo Pingala tem qualidade solares:  tem personalidade, muita criatividade, e abundante vitalidade. Mas a não ser que eles desenvolvam seu lado Ida, eles podem perder a quietude, introspeção e receptividade necessárias para atingir as graças do despertar espiritual.

Criando equilíbrio

Trazer ida e pingala ao equilíbrio é o foco maior da hatha yoga – muito importante, de fato, que o termo hatha simboliza este equilíbrio. Embora a palavra hatha literalmente signifique “energético” em sânscrito, ela é composta de ha e tha, duas exotéricas bija (sementes) mantras, que possuem um significado misterioso e poder.  Ha representa a qualidade solar, a força vital, de pingala. Tha representa a mente e as qualidades lunares de Ida. Equilibrando sol e lua, ou ida e pingala, facilita o despertar e a subida da Kundalini, e conduz o despertar da consciência mais elevada. De fato, alguns professores de yoga sustentam que enquanto existir o predomínio de ida ou pingala (isto é, um desequilíbrio), sushumna ficará fechada e o poder da kundalini estará dormente.

O método mais poderoso para o equilíbrio de Ida e Pingala é o Nadi Shodana, respiração nasal alternada. (Literalmente em sânscrito significa “ limpeza das nadis”). Esta prática é efetiva porque Ida Nadi  é diretamente conectada com a narina esquerda, e pingala Nadi com a direita. Alguns ciclos desta técnica básica de pranayama no final da prática de ásanas é um excelente caminho para ajudar a restabelecer o equilíbrio entre as duas nadis e compensar por qualquer desequilíbrio que você sem saber pode ter causado durante a sua prática.

Entrando em Equilíbrio

Além de usar Nadi Shodhana , você pode experimentar com o uso os próprios ásanas como um método de equilibrar ida e pingala . No início da prática , sente-se e observe sua respiração para ver qual narina - e qual nadi - é dominante. (Se você não pode dizer, tente algumas rodadas de respiração alternada , que deve ser imediatamente claro qual é o lado mais livre e qual você sente mais bloqueado ) . Se a narina esquerda domina , ida está no comando, e você pode considerar  o foco da sua atenção em revigorante asanas , tais como retroflexões , posturas em pé , inversões, e torções - que envolvam o nadi pingala . Se a narina direita domina  o resfriamento  e a calma das posturas sentadas e flexões para a frente, podem ser mais benéficas.

Você também pode trazer a consciência de ida e pingala em qualquer prática de asanas, fazendo uma pausa entre as poturass para perceber que nadi domina sua respiração. Observe os estados da sua mente , bem como, você vai descobrir que eles estão intimamente correlacionados com qual nadi é ascendente. Você está agitado e ativo ( pingala dominante) ou calmo e receptivo ( ida -dominante) .  Através deste processo de check-in, você pode começar a identificar qual postura ativa uma nadi ou a outra, e quais são particularmente eficazes para você, na criação do equilíbrio físico e emocional.

Você também estará desenvolvendo sua consciência , aprofundando a sua prática, e abrindo caminho para o seu crescimento espiritual.

Quem quiser conferir o texto em inglês, na íntegra:

http://www.yogajournal.com/wisdom/927


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