4 de ago de 2011

A mulher na Índia, é feliz?

Dando sequência as minhas análises iniciadas pelo facebook, sobre as profundas e interessantes conversas sobre sexualidade com minha professora de sânscrito, achei bacana escrever e colocar em pauta um pouco mais sobre este "choque cultural" que estou vivenciando por aqui! Agradeço ao meu amigo João Luís pela sugestão, e todos aqueles que me acompanham por esta vida tão maluca!

Quando falamos em cultura e hábitos de vida, já temos uma ideia pré-estabelecida de como os povos se relacionam com os mais diferentes aspectos da vida. Quando falamos de Oriente, e no caso Índia, a imagem que nos vem a cabeça é de uma sociedade extremamente reguladora, onde a mulher é vista apenas como um ser a serviço do homem e da casa. Sem direitos, mas cheia de deveres. Fica realmente difícil de imaginar se estas mulheres são realmente felizes.

A elas não é dado o direito de escolher o marido, no caso dos casamentos arranjados (que ainda são em maioria por aqui, principalmente no Sul que é uma região mais conservadora) quem escolhe o pretendente é a família, de acordo com os valores e qualidades que eles acham importante que o futuro noivo deva ter.

E o casamento é visto por muitas mulheres como uma meta a ser seguida. Tenho lido diversas publicações regionais; revistas que cumprem o mesmo papel da nossa conhecida Revista Nova, que fala mais abertamente sobre sexualidade e assuntos do universo feminino, e estas revistas valorizam muito a união matrimonial. Existem seções dedicas as leitores onde histórias de amor, de heroísmo dos seus homens são contadas as outras mulheres, que sonham e almejam pelo grande dia do casamento.

Elas estudam, são preparadas pela família para se tornarem mulheres inteligentes e interessantes. Ai, chega um dado momento em que elas desistem da carreira, muitas vezes extremamente bem sucedidas, e partem para este novo desafio em suas vidas. Felizmente hoje, existem algumas famílias que aceitam os "Love Marriages" onde a menina tem um namorado e futuramente se casa com ele; ou mesmo tem a opção de adiarem seus planos para dedicar mais tempo as suas carreiras. Mas ainda são em minoria por aqui!

No geral, a partir do momento em que o casamento acontece, uma nova etapa se inicia. A construção da família. Esta etapa é também vista de uma maneira bem diferente do que estamos acostumados a ver. Hoje em dia, a mulher busca se equiparar com os homens, tendo as mesmas oportunidades profissionais, os mesmos salários, enfim. Aqui, a base da casa é homem, ele é a coluna estrutural da famila. O responsável por manter a honra e o nome da familia perante a sociedade.

Fiquei muito impressionada, quando dias atrás estava lendo no jornal uma história sobre uma família aqui de Coimbatore, que havia desaparecido. Dias depois eles encontram na casa um bilhete escrito pelo pai, onde ele explicava que estava com muita vergonha pois ele havia feito muitas dividas e não tinha dinheiro para pagar. Pessoas estavam o cobrando pelo pagamento! Por não conseguir aguentar mais esta situação, ele fugiu com toda a familia para um outro local onde ele iria tirar a sua vida, da esposa e dos dois filhos pequenos, pois com tanta desonra era impossível continuar vivendo. Como ele iria encarar seus amigos e seus familiares?

Isso é algo comum por aqui, segundo meus professores, a cada ano mais de 30 casos como este são noticiados!

Mas, fazendo um link com o tema principal do texto, será que a mulher aqui é feliz?

Eu diria que sim, pois tudo é baseado na familia! E não tem amor maior no mundo do que o amor que sentimos pelos filhos e pelo homem que passa a vida toda procurando trazer o oferecer o que há de melhor no mundo para a sua esposa. A mulher, diferentemente do que pensamos, é vista como uma Deusa, a responsável por manter a energia do lar. E isso não é menosprezar ninguém não! Aqui, elas dizem: primeiro o casamento, e depois o amor! Ou seja, o amor vai sendo construído aos poucos, a cada dia! As familias são extremamente unidas! As mães são muito, mas muito carinhosas e afetivas com seus filhos (eles amam bebês). E para tudo existe um ritual, uma cerimonia; na minha opinião estes rituais são o que sacralizam a cultura. Quando fazemos um ritual, algo esta sendo marcado! E isso é eterno.

Outro ponto interessante é sobre o divórcio. Aqui a mulher tem total direito de se divorciar se ela comprovar que o marido a trata mal, com violência ou é adepto do uso de álcool. Sim existem delegacias especializadas nos direitos da mulher! Um dia, fui visitar a casa de familia e uma grande confusão estava acontecendo, era gente gritando pra todo lado! Uma mulher, que morava na cercania, havia se casado a alguns dias, e o marido resolveu sair e encher a cara. Resultado, no dia seguinte ela foi à polícia e havia pedido o divórcio! Desonra, sim, mas para o pudim de cachaça que trocou a mulher pela boêmia!

Continuando: O sexo também não é o mais importante, muitas vezes ele é visto apenas como um meio para a reprodução, para ter filhos. Perdas e ganhos não é mesmo? Afinal, se não passássemos tanto tempo da nossa vida preocupados com o prazer sensorial, com os prazeres da carne, sobraria muito mais tempo para outras coisas não é? A união entre homem e mulher é algo além do carnal, é união de almas. A gente não vê por aqui casais de mãos dadas, demonstrando afeto em lugares públicos; isso é algo reservado somente para os momentos de intimidade, e a gente vê casais tão afetivos, que adoram valorizar o sexo e a grande química que rola, mas no fundo eles não tem a mínima intimidade! Não são capazes de conversar e se entender!

Então amigos, sem sombra de dúvida eu digo que a mulher é feliz aqui sim! De uma maneira diferente, não aos nossos olhos ocidentais! Afinal, em que religião existe, tantas Deusas quanto no hinduísmo? Tantas mulheres adoradas e abençoadas.

Pobre Maria Madalena, tão apedrejada e criticada pelos costumes cristãos...

É isso aí, temos muito, mas muito o que aprender com os indianos....Namaste! :)



2 comentários:

  1. Minha amiga querida, minha luz... muito obrigada pelo texto, adorei... e concordo com vc, temos muito que aprender.
    Com certeza, muitas pessoas irão torcer o nariz pra esses costumes, mas é como vc disse, não dá pra comparar, é diferente e rico.
    Eu mesma já me questionei muito sobre os costumes da Índia... temos dificuldades em aceitar o diferente, não é? Digo isso generalizando, claro.
    Temos é que conhecer, aprender e trazer pra nós o que achamos que vale a pena pra nossa vida. Mas o principal é respeitar.
    Namaste :)!

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  2. Andrezza Porfirio4 de ago de 2011 16:29:00

    Oi Bárbara,

    Conhecei seu blog através da Angelica, simplismente fiquei encantada com seu texto, na verdade sou encantada com a Ínida, louca de vontade de passar um bom tempo em retiro espiritual...aprendendo a viver e conviver com essa divergência louca no mundo em que vivemos!!!

    Obrigada, vc proporciona uma viagem sem rumo na nossa imaginação!!!

    Namastê!

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