30 de jul de 2011



Bhakti Yoga


Quero compartilhar com vocês um pouco do que estou aprendendo e vivenciando sobre a cultura e os rituais hinduístas. Mesmo antes de visitar pela primeira vez a Índia (em Abril de 2009), sempre me identifiquei e procurei entender o significado dos rituais e de que forma eu poderia incluir este tão sagrado momento na minha vida, e qual era o sentido de tudo isso! O yoga me aproximou desta cultura e foram os meus primeiros passos dentro desta nova concepção de corpo e mente. Entendi que era preciso alimentar e nutrir estes dois mundos (Yoga = união).

Não posso dizer que finalmente algo aconteceu, mas obtive algumas graças.


Embora eu tenha criado este blog para contar todas as minhas experiências, não vou dizer exatamente tudo que aconteceu, pois faz parte de um universo muito particular. Mas o que eu posso falar é que finalmente eu encontrei a estrada certa, uma direção. Encontrei um caminho que me levou  à consciência de Krishna (por favor aguardem mais textos específicos sobre este assunto) mas o papo aqui é sobre a conexão com o mais elevado grau de devoção. E tudo esta acontecendo de uma maneira muito natural e sincrônica.


Tudo começou, há mais ou menos duas semanas atrás quando recebemos um novo morador aqui no apartamento. Ele é monge Hare Krishna (bramacharia) esta fazendo diversos tratamentos para um problema bem grave nas articulações, o hospital está lotado de pacientes, então tiveram que alojar ele aqui no quarto que estava vago. O problema dele é muito sério, ele tem artrite reumatóide num estado muito avançado; os calcanhares dele estão tão inchados que ele não consegue mais se locomover. Quem o trouxe para cá foi uma família residente da Látvia (norte da europa) que são membros e coordenadores do Iskcon templo de lá. A mãe foi a primeira a chegar, pois ela é médica ayurvedica e também estava fazendo algumas aulas no AVP (minha escola).


Quando tivemos a oportunidade de conversar, ficamos praticamente 3 horas sem nem beber água, de tanto assunto, tanta troca que aconteceu. Sempre tive curiosidade em saber e entender mais sobre os Hare Krishnas. Me lembrei de todas as vezes que estava lá, vocalizando o mantra sem entender direito o sentido de tudo isso. Ela me levou no Iskcon templo aqui de Coimbatore, e carinhosamente me explicou exatamente como devo me portar e o significado de cada imagem, cada pooja, cada mantra.  E me indicou algumas leituras que me ajudariam a entender melhor como tudo funciona. A base são os Vedas (leitura e interpretação dos Upanishads) entre outras tantas referências. O principal livro, logicamente é o Bhagavad-Gita.

Ao planejar esta minha atual viagem à Índia, mais uma vez eu pedi que uma luz me fosse enviada, que aqui eu pudesse, no berço desta civilização, entender o que eu estava procurando. Não queria respostas rápidas, queria sentir, apenas isso! Além do racional, além do impulso que tantas vezes me levou para tantos lugares diferentes. Queria deixar acontecer, não procurei por este encontro, sabia que na hora certa ele chegaria. E que, principalmente que eu estaria pronta para ele! Há poucos dias terminei de compor o meu altar, selecionei a imagem que eu quero me identificar e oferecer meus mantras e orações. Foi um momento muito especial, onde tudo ficou claro, finalmente fez sentido! Hare Krishna! Prazer em revê-lo!


Vou explicar um pouco como tudo funciona, para quem quiser ter o seu também:


No meu altar (foto acima) está a imagem de Krishna, com uma coroa de flores de jasmim  (que deixam um delicioso perfume no ar); e duas lâmpadas. As lâmpadas são sempre acendidas em dois momentos do dia. Momentos estes em que nos colocamos frente ao altar para entoar os mantras e praticar a meditação. O primeiro se dá antes do sol nascer, acendemos a lâmpada para trazer mais luz ao novo dia; o segundo momento é ao entardecer, quando o sol já se pôs, acendemos novamente a lâmpada para manter a luz dentro de nossa casa (muitas cidades aqui da Índia não possuem luz elétrica). Para acende-la usamos óleo de gergelim ou ghee. Com um pedaço de algodão, acende a pontinha e enquanto o óleo estiver na lâmpada, haverá luz. Os pós (vermelho e amarelo) são para fazer marcas na testa e no pescoço: na testa é proteção para o devoto, e no pescoço para a família do devoto. Se a mulher é casada, ela faz uma marca em vermelho no topo da cabeça para pedir proteção ao marido.

Podemos colocar ao redor da lâmpada, algumas flores, que enquanto vocalizamos os mantras vão sendo jogadas no pratinho onde fica a lâmpada. Qualquer oferenda é bem vinda! Colares, pulseiras, frutas, incensos..tudo para agradar ao seu Deus. Podemos também colocar mais imagens, estátuas, tudo aquilo que de alguma forma faça sentindo de estar ali presente. Até mesmo fotos de pessoas queridas ou de nossos ancestrais! Enfim, o que vale mesmo é a atidude de respeito e austeridade (rigor da disciplina).

Por fim, é procurar sempre tomar um banho ou lavar o corpo antes de fazer este ritual. Existem uma série de rotinas descritas nos textos clássicos de como fazer este pooja (oferenda), mas aqui estou passando uma idéia mais básica,  algo simples que pode ser feito em casa! Ah, uma última coisa, o altar deve estar num lugar alto (no meu quarto não foi possível, mas o que vale é improvisar) nunca colocar as imagens no chão! E manter tudo sempre limpo e perfumado! Sentar-se com os pés cobertos e nunca colocar os mesmos na direção das imagens!


Em resumo, o que eu desejo a vocês é que possamos de alguma forma nos conectar com uma energia superior, a energia do divino. Dando menos valor aos prazeres que só satisfazem os sentidos. Que busquemos uma vida plena e feliz! Que busquemos esta constante de felicidade!


"Que possamos ser únicos e divinos na nossa essência"


Namaste!
(o meu Deus interior, saúda o Deus que habita em ti).


Um comentário:

  1. Puxa amiga, que lindooooo!
    Fico muito feliz por vc ter achado o que tanto procurava.
    Muitas coisas que vc descreveu da sua busca, bate com o que sinto tb e com o que busco.
    Espero um dia como vc, eu tb me encontre.
    Vc é minha transpiração.
    Muito obrigada por compartilhar esses momentos de descobertas e tão ricos.
    Amiga, mais luz a vc.
    Namaste!

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