26 de mai. de 2012

Pessoal ou impessoal?




Pessoal ou impessoal?


Ultimamente tenho refletido bastante sobre a forma como eu me relaciono com o Yoga e com a espiritualidade. Sem entrar no mérito semântico do significado destas palavras, procurei encontrar dentro de mim uma resposta realmente profunda e verdadeira que explicasse onde eu quero chegar com tudo isso.

Percebi que no início meu foco era no corpo. Fui parar no Yoga devido a uma doença crônico-degenerativa que tenho na coluna, que aos poucos vai transformando meus discos intervertebrais em esponjas; e aos quinze anos de idade as dores que eu tinha eram indescritíveis. Meu médico me receitou uma atividade onde eu pudesse alongar e ao mesmo tempo fortalecer a musculatura. Yoga era um pouco difícil de encontrar naquela época (exatos quinze anos atrás) e consegui praticar em um clube pertinho da minha casa.

Durante alguns anos, e algumas descobertas depois, fui entendendo que indiretamente aquela prática também influenciava no meu estado emocional. E logo em seguida, percebi  que existia uma vibração em torno de mim que às vezes era forte às vezes fraca, e em determinados ambientes aquela energia simplesmente ia embora, abrindo um buraco e criando um vazio muito grande.

Continuava praticando, procurando manter aquela energia de mais forma equilibrada, sem tantas oscilações. E em paralelo fui aliando a leitura de textos antigos, com professores mais experientes, que explicavam toda a origem daquela prática, e que me mostravam onde ela poderia me levar. 

A partir daquele momento fui começando a entender onde EU queria chegar. 

Até que num determinado momento  após anos de prática e estudo, fui percebendo que o que eu sentia na verdade era algo muito mais simples do que eu imaginava. Era amor! Sim, amor puro e simplesmente. Algo que às vezes transbordava e que parecia nem caber dentro de mim.

Quanto mais eu me amava, me cuidava, escolhia com carinho os alimentos, as relações, mais eu desenvolvia o amor por mim e pelas pessoas. Tornei essa relação o meu meio de sobrevivência e fui conhecer mais ferramentas para que eu pudesse transmitir para as pessoas aquela mesma sensação que eu tinha. 

Mas eu também me perguntava: De onde vinha todo este amor? 

Indo um pouco mais a fundo dentro do hinduísmo, me deparo com a seguinte questão: A experiência de amor também esta relacionada com a forma como nos relacionamos com Deus. Ele é o emissor de todo este amor. Logo, precisamos nos unir a ele.

Mas de que forma eu me uno a Deus. O que é Deus? Como é ele é? De que forma eu vejo Deus? 

É uma pessoa? Uma energia? Uma luz brilhante?

Foi então que comecei a pesquisar sobre o assunto, e vi que existem duas formas de entender a figura de Deus. A forma pessoal ou impessoal. Estou muito longe de ser alguma autoridade no assunto, o que trago aqui é apenas a minha interpretação pessoal sobre um tema extremamente complexo (mas que se encaixa muito bem nas minhas respostas sobre a forma como eu me relaciono com o Yoga).

Quem pratica Bhakti-Yoga, tem claramente este objetivo: Que é desenvolver o amor por Deus no seu aspecto pessoal. Reconhece a forma, os hábitos e tem uma relação de intimidade com Deus. 

Afinal de contas, se existe uma fonte emissora de energia e amor, porque eu vou oferecer minha devoção somente a aquilo que ela emana. É como o Chandramukha Swami, um vaishnava muito querido pela comunidade Hare Krishna falou em uma de suas gloriosas aulas: As pessoas abrem as janelas de suas casas pela manhã e dizem: “O sol entrou no meu quarto”. Mas sabemos que é impossível que o astro na sua magnitude possa entrar em algum lugar. O que entrou foram os raios, o calor produzido pelo Sol. Mas não o Sol em si.

Ele continua explicando que mesmo os raios fazem parte do Sol, e que um, não existe sem o outro. Então o raio também é o próprio Sol. Um está contido no todo e o todo está contido em um.

Em resumo, a devoção acontece quando existem duas partes separadas (mesmo que ainda contidas nas mesmas).  Para que se estabeleça a devoção eu sou de alguma maneira, separado daquilo que eu direciono o meu amor.

Agora, se você pergunta para um Yogue (de qualquer linha, um Raja Yogue), qual o seu objetivo com a prática? Ele pode te responder: Minha meta última é atingir libertação (moksha), a completa união com o absoluto. Eu me uno ao absoluto e me libero da roda de reencarnações.

Ele não reconhece que Deus tem uma forma definida, ele se relaciona com o TODO, com Deus no seu aspecto absoluto. Tudo pode ser Deus. Ouvi em uma aula sobre hinduísmo com o brilhante professor Lokasaksi Dasa, uma história bem interessante sobre isso. Certa vez a esposa do professor Hermógenes teve a oportunidade de fazer uma pergunta ao Sathya Sai Baba, e ela astutamente perguntou: É verdade que você é Deus? Ele respondeu: Sim eu sou Deus. E continuou: “Mas você também é Deus. A única diferença entre eu e você, é que EU estou consciente de que eu sou Deus.”

São dois objetivos bem diferentes não é? Reconhecer ou não a forma de Deus? Usufruir das técnicas do Yoga para se aproximar de Deus. O que antes era apenas um benefício incrível para meu corpo físico, agora se torna um caminho de elevação da minha alma. É importante em algum momento a gente parar um pouco e se perguntar: Onde isso vai me levar? 

O Yoga físico é apenas uma fase preparatória para algo que esta muito mais além. Experimentar este sentimento de amor me preenche de felicidade e satisfação. Sei nunca vou encontrar isso em nenhum outro lugar. Eu acho muito legal quando alguém me pergunta sobre qual linha de Yoga eu ensino, e é claro, eu tenho minhas preferências em relação à forma de fazer os Ásanas, mas o que eu respondo é: "Aquela em que eu consigo transmitir mais amor".

Como já falei em outros textos, a devoção me levou a um outro nível de entendimento da minha existência. Sou completamente leiga e apenas uma estudante de primeira série em um curso que dura mais de mil anos, mas corajosamente compartilho com vocês esta passagem; pois ter entrado em contato com tudo isso, me tornou uma pessoa muito melhor e uniu ainda mais minha mente, meu corpo e meu coração!

Desejo a todos vocês: ANANDA - ÊXTASE - FELICIDADE SUPREMA!!!

De que forma vocês vão conseguir isso... bom, neste caso é exatamente como no programa de Milhagem da Varig: "Totalmente pessoal e intransferível"!!!

Ommmm 



4 de mai. de 2012

A Marcha das Mulheres





A Marcha das Mulheres



Recentemente nas redes sociais uma imagem gerou polêmica e levantou velhas discussões. Esta imagem mostrava uma comparação entre uma “psedo-celebridade” e a jornalista e apresentadora Patrícia Poeta. Esta primeira trajava um vestido preto curtíssimo e sapatos de salto plataforma, a apresentadora preservando sua imagem séria e recatada, também usava um vestido preto, muito comportado e sapatilhas; a legenda dizia: Isso é vulgar e isto é elegância.

O impacto gerou depoimentos das mais diversas vertentes. Algumas mulheres apoiaram tal comparação, sendo enfáticas ao dizer que mulher não precisa se vestir como prostituta para chamar atenção, que precisam sim ser elegantes e clássicas, e que esta era a imagem que refletia a mulher moderna. Já as feministas, que lutam por direitos equânimes e uma vivência humana liberta de padrões opressores, por definição, taxavam a imagem de preconceituosa, porque afinal de contas, o corpo é de cada um, e é um critério totalmente pessoal a escolha da roupa; e que não deve ser taxada como vulgar uma mulher que tem a preferência por vestes provocantes.

Em meio a esta confusão, por casualidade ou não, foi divulgada mais uma edição aqui no Brasil da “Marcha das Vadias”; movimento social iniciado em 2011 em Toronto, no Canadá, que desde então se tornou internacional realizado por diversas pessoas em todo o mundo. A Marcha das Vadias protesta inicialmente contra os casos de estupro e abusos sexuais causados por excesso de sensualidade, isto é, a mulher é abusada porque provocou isso com seu modo de vestir. Então, as mulheres saem às ruas, vestidas com o que bem entendem (algumas seminuas ou com transparências), e carregam faixas e cartazes com dizeres do tipo: “O Corpo é meu, eu faço o que quero”; “Eu sou um ser humano, não um brinquedo sexual”; “Minha mini-saia não é um convite”; “Contra a globalização do silicone”.

Intrigada por tal questão e muito cuidadosa em emitir qualquer tipo de julgamento, fui atrás da literatura e busquei entender qual mitologia ou em que momento da nossa história este tipo de movimento poderia estar ligado. Alguns autores consideram impossível entender um povo de uma sociedade em particular sem ter um entendimento de sua mitologia. Os mitos exprimem crenças, moldam comportamentos, justificam instituições, costumes e valores.

Cheguei ao livro da Dra. Catherine Blackledge chamado: A história da V – Abrindo a Caixa de Pandora; esta publicação trás pesquisas e análises de diferentes mitos, teoria da evolução, biologia e medicina reprodutiva, desvendando o oculto do corpo feminino.

Usando esta referência, a autora nos leva ao inicio da civilização, aproximadamente no século V AC. Herótodo, famoso explorador e historiador grego viajou por todo o Egito nesta época, e viu a inversão do papel do homem e da mulher naquela sociedade: “as mulheres vão ao mercado e se ocupam dos negócios, enquanto os maridos ficam em casa e tecem”.  Naquela época, era visível a força e poder associados às mulheres.

Uma crença muito incomum naquela sociedade era tema em rituais e celebrações: a exposição da genitália feminina. Este impávido gesto feminino era considerado de grande poder, capaz de causar uma tempestade ou acalmar os oceanos. O evento egípcio registrado por Heródoto como testemunha ocular foi o festival anual de Budapeste, a deidade envolvida nessas celebrações era a deusa-gata Bast ou Bastet (curioso notar a associação da genitália feminina com a felina -puzzy- presente em diversas lendas mitológicas) esta deusa era padroeira dos prazeres, das danças, da música e da alegria. Centenas de foliões se reuniam em barcos para celebrar a deusa, ao passarem pelas aldeias, algumas mulheres dançavam enquanto outras erguiam suas saias. Heródoto então deu a este ato explícito o nome de: anasuromai, derivado de uma palavra grega que significa “erguer as próprias roupas”.

Plínio, outro historiador do mundo antigo, escreveu no século I DC em sua História Natural , que tempestades com tufões e relâmpagos podiam ser apaziguados quando confrontados com a imagem de uma mulher nua. Ou seja, a visão de uma mulher expondo deliberadamente a sua vulva é tida como capaz de impedir que o mal aconteça.  Ademais, o exame das lendas sobre a exposição da vagina revela dois modelos: uma que se concentra nos efeitos de afastar o mal, e outros, nos efeitos de aumentar a fertilidade das lavouras ou dos próprios animais. O curioso é que todos os relatos históricos mostram que esta exibição era feita coletivamente, por grupos de mulheres; mais uma vez mostrando a força e o poder do coletivo feminino. E estas crenças foram sendo mantida por gerações e gerações.

Voltando ao nosso tema, da Marcha das Vadias, trago o seguinte questionamento. Será que é possível que estas mulheres agora no século XXI estejam de alguma forma retomando este poder, que por tantas Eras foi reprimido: “Senta direito menina... fecha as pernas”. Este excessivo pudor não foi uma forma no nos reprimir através dos tempos? E agora, cheias de coragem e autoconfiança saímos às ruas expondo este poder? Infelizmente se estivéssemos nuas provavelmente antes de terminar a passeata estaríamos presas em uma delegacia por atentado ao pudor; mas sim, cobertas com poucas roupas e autorizando o arbítrio de usa-las sem ser taxadas como vulgares? Seria um resgate desta crença?

É irônico chamar a nossa sociedade de moderna, mas o patriarcado por anos coibiu estas mulheres tão poderosas que nuas eram capazes de terminar guerras e hoje, na sociedade em que vivemos, precisam realizar movimentos como estes, ou são ridicularizadas por outras mulheres, que infelizmente não sabem nada de história. Não acho que é preciso instigar uma competição entre os sexos, mas sim, que as pessoas se informem, leiam, estudem, só assim poderemos desenvolver nosso senso critico e opinar de maneira mais justa e com o foco na evolução da nossa sociedade.

Que dominação é essa que culpa a mulher por ser estuprada? Que reverso terrível e triste da nossa história, onde está nosso poder?

MULHERES UNIDAS, JAMAIS SERÃO VENCIDAS!!!



17 de abr. de 2012

Pobre coco!



Pobre coco!


Segundo o Ayurveda, são 3 os sustentáculos (Upasthambas) da vida: o alimento (Ahara), o sono (Svapna) e o controle da atividade sexual (Brahmacharya) e a saúde (Swasthya) depende do uso adequado dessa tríade.

Estamos sempre expostos ao apelo da mídia sobre os "produtos milagrosos" . Hoje a Revista Veja publicou uma reportagem onde relata que o óleo de coco não serve para emagrecer. A matéria se intitula: Óleo de coco: para emagrecer, não passa de bobagem. Foi avaliado a quantidade de gordura saturada presente do óleo, e dito que não existe comprovação científica que o óleo de coco possa reduzir a gordura corporal. Ora, é claro que se o sujeito tomar óleo de coco e comer um hambúrguer com cheddar ele não vai perder peso. 

Mas então quais são as outras propriedades do coco?


É descrito nos Vedas como a árvore do paraíso (Kalpa Vriksha). Teria sido trazida à Terra pelo próprio Lord Vishnu para promover a saúde, a força, a longevidade, a energia, a tranquilidade e a paz. Muito utilizado em poojas nos mais diversos templos. Muito nutritivo, seu óleo é facilmente digerido sendo utilizado pelo organismo mais facilmente que outras gorduras, além de reduzir a acidez estomacal. Possui proteína de alta qualidade, magnésio, potássio, fósforo, sódio e enxofre. Possui várias vitaminas do complexo B e vitamina C; um copo de água de coco é suficiente para fornecer a quantidade necessária desta vitamina/por dia.


Terapeuticamente, a planta apresenta sabor doce e propriedades refrescantes, por isto está indicada para as pessoas com Pitta (fogo) aumentado no corpo. Na Índia, este óleo é utilizado nas queimaduras, eczemas e micoses pela sua propriedade anti-séptica.

É também usado pelas mulheres no Oriente, pois deixa os cabelos saudáveis e bonitos.

A massagem com óleo de coco refresca o calor corporal, pode usar usado no topo da cabeça em dias muitos quentes para evitar o calor nesta região, e ainda auxilia o corpo a absorver mais Prãna (energia) do ar. 

Mas o que vende??? Milagre, isso vende! E pior, por pressão da indústria algo tão sátvico como o óleo de coco pode se tornar um inimigo, assim como aconteceu com a nossa querida Kumari. O suco de aloe vera  foi retirado do mercado por suspeita de ser cancerígeno. Precisamos ter muito cuidado com o aquilo que lemos, com a fonte das informações e principalmente com as nossas atitudes.

O que precisa ser mudado é a forma como nos relacionamos com a comida. O corpo precisa de nutrição para formar os tecidos (dhatus) e produzir imunidade (ojas). Não podemos colocar no alimento o alivio de todas as nossas frustrações, ou na comodidade de se tomar uma simples cápsula, a forma ideal de perder peso. Para isso é preciso ter uma dieta equilibrada, e principalmente uma mente estável. 

A ignorância (avidya) é o grande causador das doenças, pois não buscamos conhecer e entender aquilo que estamos ingerindo. Para isso existe esta linda e milenar medicina, que vai a fundo, que transforma a maneira como nos relacionamos com o mundo, só assim seremos felizes, não sei se magros porque isso depende da nossa constituição, mas o que importa é ser saudável, inteligente, consciente e ético, isso sim, é a verdadeira beleza.

Como comer é um ato sagrado, apresento à oração a Annapurna, a Deusa das Colheitas.

annapurne sadapurne sankarapranavallabhe
jnanavairagyasiddhyartham bhiksam dehi ca parvati

Ó Parvati, consorte do Senhor Shiva, sempre plena,
preenche a todos com seu alimento, permita-me ter
sempre o alimento necessário e poder alcançar
conhecimento e desapego


PS: Esta foto foi tirada em Pondicherry pela minha grande amiga Larrisa Weisen, em uma de nossas aventuras pelo Sul da Índia. O coco é a forma de sustento de muitas famílias. Digamos que algo bem mais nobre do que apenas produzir o emagrecimento!

Namastê!



10 de mar. de 2012




O Egoísmo Espiritual

Já faz muito que reflito sobre sobre as questões e dúvidas que acompanham aqueles que optam por seguir o caminho do desenvolvimento espiritual. Tive a sorte, ou quem sabe, fui abençoada pela graça de ter começado muito cedo, na adolescência, mas embora cedo, esta fase da vida é bem complicada, pois temos que lidar com as diferenças e questionamentos das pessoas que nos amam, e temem que algo esteja errado.

Quando você é adolescente a diversão é ir a festas, encher a cara, arriscar-se nas mais diversas aventuras, e isso faz parte e na minha opinião com responsabilidade deve ser vivido, e foi o que eu fiz. Só que aos poucos fui me dando conta que eu não precisava de nenhum artificio externo para ser feliz, ou para ser mais extrovertida, pois sempre fui muito alegre a companheira dos meus amigos.

Parar de comer carne no Rio Grande do Sul foi uma afronta aos meus antepassados. Chegar com abobrinha, abacaxi e arroz integral nos churrascos sempre foi motivo de chacota, mas aos poucos as pessoas foram entendendo e respeitando este novo estilo de vida, não sair mais para as baladas, acordar cedo, e posteriormente o trabalho com o yoga só me ajudou, e fiz belas associações com pessoas que tinham o mesmo propósito de vida, o que foi muito recompensador. Isso é fundamental!

Mais de 15 anos se passaram e também muitas mudanças na vida, e hoje novamente me vejo na mesma situação. Com dificuldade de interagir com grupos de pessoas que não tem este mesmo propósito, não quero parecer uma pessoa chata, ou deslocada, mas juro por Deus que em certos ambientes me sinto um peixinho fora d´agua.

Em algumas leituras, e recebendo os conselhos de alguns mestres, todos falam de um certo "egoísmo", que o devoto, ou quem segue o caminho espiritual as vezes deve por em prática. Mas o que será este egoísmo? Sinto que muitas vezes eu prefiro ficar sozinha, praticar um bom sadhana, uma boa leitura, à me aventurar por festas e encontros sociais, será que é disso que eles estavam falando?

Numa outra oportunidade um mestre muito querido falou que a gente nunca encontraria um professor de Yoga em um bar, ou em um pagode. Lógico que ele estava exagerando no exemplo; mas o que ele queria dizer é que os yogues devem viver a vida de acordo com o que acreditam. Coerência, harmonia entre o falar e fazer. Não é fácil seguir a risca, afinal vivemos no ocidente e nem todos os nossos amigos e gostos respeitam 100% esta escolha; mas interpreto que devemos ao máximo procurar isso, mesmo que muitas vezes tenhamos que ser um pouco egoístas.

No Vedanta se estuda a realidade, a evolução e a libertação. Segundo uma recente entrevista que li com a professora Glória Arieira, existem dois estilos de vida em busca da libertação (de um sofrimento, de uma insatisfação constante): um estilo de vida do sannyasin (renunciante), em que a pessoa renuncia à sociedade - casa, filhos e trabalho- e vive isolada, estudando e meditando; e outro em que o Karma Yogi vive na sociedade, mas encaixa o estudo e o ensino também na sua vida com os filhos, o trabalho, etc.

Ela comenta que todos nós achamos que a renúncia é mais fácil e Arjuna na Gita também achava: porque você então só se dedica ao estudo. Mas acredito que tentando conciliar tudo isso, amadurecemos e também ensinamos um pouco aos que mais precisam. 

Não somos melhores nem piores dos que os outros, apenas optamos por desenvolver mais potencialidades. 

Todos são capazes, mas apenas alguns o fazem, pois como falei no inicio do texto, muita gente vai te questionar até entender o proposito da sua vida.

Um grande beijo e uma reverencia com muito amor a todos aqueles que escolheram o caminho da entrega e da devoção. Que todos possam entender e nos respeitar!

Que este egoísmo não nos afaste das pessoas, mas sim que ele afaste energias e situações que não nos acrescentam!

Mãos em prece

7 de mar. de 2012




A volta das voltas!

Sim, estou voltando a escrever no meu querido blog!

Talvez por uma enorme necessidade de compartilhar os momentos da minha vida, ou mesmo para na ação da escrita, organizar melhor todas as ideias dentro de minha cabeça. A volta da Índia, representou uma nova perspectiva no meu caminho. Confirmações e acertos de todas as escolhas que fiz, que me levaram ao universo do oriente e o acesso ao tesouro milenar desta cultura tão nobre.

O trabalho que já desenvolvia foi acrescentado de muito mais confiança, é como se todo aquele conhecimento que recebi em aulas, cursos e palestras, agora estava sendo metabolizado dentro de mim; foi um verdadeiro aprendizado interno.

Já fazem 5 meses desde então, e agora me vejo frente a um novo desafio. Um chamado para enfrentar uma outra expedição, mas desta vez, não vou longe, na verdade estou voltando.

Decidi retornar a viver em minha terra Natal, em Porto Alegre. Esta decisão implicou uma série de "desatar de nós" que eu mesma havia criado. Mas ao olhar internamente percebi que o  que havia antes deixado para trás, hoje estava me fazendo uma falta imensa. Mesmo trabalhando todas as questões filosóficas e me fortalecendo a ponto de estar totalmente feliz e plena em minha própria companhia, senti que a minha presença fazia muita diferença na vida de outras pessoas. E estas pessoas são hoje tudo que há de mais valoroso para mim: meus pais.

A matemática da vida é traiçoeira, começamos a pensar em anos... quantos anos ainda tenho para desfrutar a presença deles? Espero que ainda muitos, mas estando longe fica tudo mais preocupante.

Cuidar dos pais é uma ação dharmica, uma bem-aventurança. É como se estivéssemos de alguma forma agradecendo pelo nosso nascimento. Acredito que as pessoas que o fazem com amor são gratificadas com muito, mas muito mais amor. Escolhas fazem parte da nossa vida, o livre arbítrio é a nossa porcentagem de ousadia e coragem. Sempre ouvi de pessoas conhecidas que eu era alguém de coragem: Você saiu de casa muito cedo e foi morar numa barraca na beira da praia... ir sozinha explorar a Índia... você é corajosa mesmo! E agora me vejo à frente a um dos maiores desafios: sair de São Paulo, ficar longe do meu companheiro, amigos, e resgatar uma nova vida que há 4 anos deixei para trás.

Encaro uma jornada de reestruturação emocional. Me doar, de corpo e alma a esta nova etapa. Em 4 anos esta será minha quinta mudança de casa. Cada vez, estou reduzindo mais o número de coisas que carrego. 

Se vier uma sexta acho que uma sacolinha ecológica já vai dar conta do recado!!!

Prometo que vou manter todo mundo atualizado, e quem sabe, ajudar aqueles que esteja passando por uma fase parecida em suas vidas!

Segue um pensamento do querido Swami Dayanada:

"Uma vida com uma organização menos artificial pode colocar o homem em seu próprio colo mais vezes do que ele poderia desejar e, nesses momentos solitários, ele pode descobrir mais sobre si mesmo". 

Vamos?


10 de out. de 2011


Rotina Diária (Dinacharya)



Segundo o Ayurveda, a disciplina de uma rotina fortalece o nosso organismo e a nossa imunidade. Em algum momento da história, o ser humano se separou da natureza. Vivemos num ritmo antinatural. Nós nos tornamos cada vez mais afastados da natureza. Passamos a trata-la como objeto externo. Investimos num mundo totalmente artificial (comida, relacionamentos, alimentação...). E essa agenda artificial diminui nosso poder de ajustamento do stress. Ficamos perturbados por este estilo de vida.

E em função da vida estressante que levamos, é importante que seja mantida uma rotina saudável para  prevenir o aparecimento das doenças. Este cenário ainda é agravado em cidades onde predominam os climas secos e altas taxas de poluição no ar.

Para aqueles que se submeteram ao tratamento de Panchakarma (ações de desintoxicação) propostos pelo Ayurveda é de extrema importância que sejam adotadas algumas destas medidas preventivas. .

A prática do Dinacharya (rotina diária) pode se tornar um ritual muito prazeroso, desde que praticados com bom-senso e disciplina. Os efeitos são visíveis, tanto na beleza da pele e cabelos, quanto na percepção e eficácia dos órgãos dos sentidos. 

Acordar:

É indicado acordar antes do sol nascer, isso promove paz mental e é refrescante para o corpo.

Ao acordar movimente o corpo e com o coração cheio de amor e alegria agradeça por um novo dia que começa! A gratidão traz um sentimento profundo de bem-estar e paz.

Então é hora de realizar suas limpezas diárias:

Levante e tome um copo de água morna, pode pingar uma gota de limão para desaparecer a náusea que a água pode causar. Esta água tomada pela manhã estimula o peristaltismo intestinal. Tente tomar a água e se encaminhar para o banheiro, isso auxilia o funcionamento do intestino.

Lave o rosto, olhos, narinas e boca.

Olhos: Misture uma colher de chá de Triphala, para uma xícara de água e deixe ferver por 10 minutos, deixe esfriar, coe e lave os olhos com esta decocção. Isso auxilia na limpeza e diminui a irritação nos olhos. Após esta limpeza pingar duas gotas de Ghee com auxilio de um algodão nos olhos ( derreta o Ghee em banho maria e em temperatura ambiente molhe o algodão e pingue nos olhos). A visão se torna mais clara, limpa, sem irritações. Pode realizar esta técnica quando o ar estiver muito seco, os olhos irritados, inflamados,ou 2 vezes ao dia como parte de sua rotina diária.

Narinas: Pra limpeza das narinas é muito bom o Jala Neti , recipiente onde se coloca água filtrada com um pouco de sal, ou soro fisiológico morno.



Um recipiente especial, o lota, é necessário para esta prática. O lota pode ser feito de plástico, metal, louça ou qualquer outro material que não contamine a água. O importante é que a ponta do bico do lota adeque-se confortavelmente à cavidade da narina, de forma a não deixar que a água vaze. A água deve estar na mesma temperatura do corpo e deve ser adicionada uma quantidade de sal na proporção de uma colher de chá por litro de água. A adição de sal assegura que a pressão osmótica da água seja igual à dos líquidos corporais, dessa forma minimizando qualquer irritação à membrana da mucosa nasal. Se for sentida alguma dor durante a prática, pode ser em função da quantidade de sal administrada, por isso o soro fisiológico é uma ótima alternativa.
     
Após realizar o Jala Neti, deve-se pingar duas gotas de óleo de gergelim para lubrificar as narinas. Também pode com o Ghee morno molhar seu dedo mínimo nele e introduzir em uma narina, depois a outra realizando uma leve massagem, rodando o dedo para o sentido horário e anti-horário.

O ideal é realizar esta técnica 2 à 3 vezes por semana,se você tem rinite alérgica, no primeiro mês é aconselhável diariamente, depois volta para recomendação geral.

Ouvidos: Gotas de óleo nos ouvidos (Karnapurana):  Condições, tais como zumbido nos ouvidos, cera de ouvido em excesso, problemas de audição, são todos devido ao aumento do dosha Vata nos ouvidos.  

Colocar 5 gotas de óleo de gergelim morno em cada orelha pode ajudar esses transtornos.

Boca: Escovar os dentes para remover todas as impurezas da região, prevenindo doenças da boca e gengivas. Pós medicinais como a Triphala podem ser usados para esta higienização. A limpeza da língua é muito importante para prevenir o mau-hálito e trazer clareza para sua voz. Um instrumento de metal pode ser usado, não são aconselhados raspadores de plásticos, pois são difíceis de higienizar. Se você não possui um raspador de prata ou metal, como alternativa pode usar uma colher e raspar suavemente a língua com o lado côncavo. A saburra, ou seja, o produto final obtido com a raspagem é um indicativo de como vai a saúde e vitalidade dos nossos orgãos. 

É recomendável a realização de gargarejos com óleos medicinais. No Ayurveda esta técnica é chamada Kabala, isto é, mover o líquido medicinal dentro da boca. Pode ser usada água morna para remover o excesso de Kapha e outras impurezas. Ou óleo de gergelim para melhorar a força da voz e dos dentes, prevenindo as cáries e dores de dente, e também com mel para curar as aftas.

Banho: Assim chegou a hora do seu banho, o banho nos deixa limpo para um novo dia , restaura o equilíbrio e relaxa. A água fria refresca e limpa corpo e mente, aumentando o Agni. A água quente nunca deve ser aplicada na cabeça, sempre do pescoço para baixo, pois não é saudável para os olhos e cabelos.

Aplicação de óleo no corpo (auto-abhyanga): A utilização de óleo no corpo relaxa, pacifica vata, ou seja, estados de ansiedade, traz ânimo, longevidade, nutre e dá brilho a pele. Aqueça o óleo em banho maria , e passe por todo o corpo, na direção dos pelos, céfalo-podal.

Todo ser humano precisa receber óleo no corpo. O óleo é o melhor medicamento para pacificar Vata. O equilíbrio de Vata é fundamental para se ter saúde. Vata é o dosha que se desequilibra com mais facilidade.

Na medida em que o tempo passa, iremos aumentando Vata no corpo.

Além disso os benefícios obtidos são:

Flexibilidade às articulações;
Torna firme a musculatura;
Os movimentos do corpo ficam livres; 
Melhora a circulação do corpo;
Melhora a eliminação dos Malas (excretas);
Produz relaxamento. 

Deixe agir (penetrar) o óleo por alguns minutos, este é um bom momento para a sua prática diária de yoga, com o óleo ainda no corpo! A prática de ásanas e pranayamas são a chave para um corpo e mente saudáveis.

Se sentir necessidade, tomar uma ducha rápida somente para tirar o excesso de óleo do corpo.

Óleos mais indicados:

Para Vata: Óleo de gergelim quente
Para Pita: Girassol ou óleo de coco mornos
Para Kapha: Girassol ou mostarda quentes

Satvritha (Ética para a vida): Saúde e felicidade dependem de uma atitude também mental. Realize todos os seus deveres de acordo com seu dharma (consciência de justiça) é uma parte muito importante da sua rotina diária. Porque felicidade é impossível sem o Dharma. Compaixão, caridade e educação trazem paz e calma para a mente. "Ahimsa" – não prejudicar outros seres humanos fisicamente ou mentalmente é considerado a parte mais importante do Dharma.

Segundo Dr.Vasant Lad: "Ayurveda is a Sansckrit word that means "the science of life and longevity." According to this science, every individual is both a creation of cosmic energies and a unique phenomenon, a unique personality. Ayurveda is the art of daily living in harmony with the laws of nature."

Sábias palavras Guruji!




8 de set. de 2011



A experiência de Vrndavana

No último mês de aulas eu havia organizado uma semana de férias; dia 15 de Agosto é o dia da Independência da Índia e é o maior feriado que eles tem no ano. Era uma oportunidade para explorar um novo lugar.

Pensei em diversas opções, Nepal, Butão, Varanasi, Khajuaro, enfim, comecei a listar todos os lugares que gostaria de conhecer e que seria possível financeiramente ir visitar. E exatamente por isso, tive que riscar da lista a opção Nepal/Butão porque sairia muito caro.

Fiquei então com a ideia de ir próximo à Varanasi e de trem ir conhecendo cidades próximas, incluindo Mathura e Vrndavana. Seriam mais ou menos 2 dias para cada cidade. Já havia comprado as passagens aéreas para Delhi e reservado os tickets de trem.

No meio do caminho, aproximadamente duas semanas antes da minha partida, eu conheci aquela família que citei no texto sobre Bhakti Yoga, e a Mataji me desaconselhou fazer esta viagem sozinha, principalmente à Vrndavana, e mais ainda porque havia escolhido fazer esta viagem exatamente no dia da comemoração do aniversário de Krishna, isto é, a cidade estaria uma loucura!!! 

Ela me perguntou se seria possível eu antecipar minha viagem pois eles estariam por lá um pouco antes do feriado, apresentando a cidade ao monge que estava morando com a gente; que na companhia dela seria mais seguro explorar esta região. 

Correria então para mudar tudo, fazer novas reservas, acertar com o diretor do curso se seria possível eu recuperar as aulas, etc. Mas deu tudo certo!

Aproveitei e mandei um email para um contato que um aluno meu de Yoga muito querido havia me passado, de um brasileiro que morava há mais de 13 anos em Vrndavana. Ele havia visitado a cidade e ficou hospedado no templo; super boa indicação! Mandei o email e prontamente fui atendida e convidada a permanecer no templo durante a minha estadia em Vrndavana! Jaya! Krishna já estava fazendo seus arranjos para me proporcionar uma experiência incrível!

Vrndavana fica a aproximadamente 150km de Nova Delhi, a lójistica era voar até lá e depois pegar um trem para Mathura (cidade onde Krishna nasceu) e depois um rickshaw para Vrndavana. Beleza, tudo acertado.

Mas quem conhece bem a Índia sabe que nem tudo são flores, e um local especial como este não seria de tão fácil acesso. Quando cheguei no aerorporto tive a noticia que meu voo havia sido cancelado, e a conexão de Mumbai para Delhi passaria da 00:45 para as 02:30am, isto é, perderia meu trem para Mathura. Bom, embarquei no avião e entreguei a Deus o meu destino, de alguma maneira eu chegaria lá!

Ao pousar em Delhi fui me informar sobre como chegar à Mathura, e me deram duas opção, ônibus ou táxi. O táxi sairia bem mais caro, então o jeito mesmo era tentar encontrar o lugar para pegar este ônibus. Fui parar numa rodoviária a mais ou menos 50km do aeroporto, onde ninguém, juro por Deus nosso Senhor, falava inglês! Era uma sujeira inacreditável, e para ajudar ainda mais, chovia "cântaros" ou seja: MUITO! Ludibriada ou não peguei outro rickshaw; o motorista entendeu para onde eu queria ir, e me falou que eu deveria ir para outra rodoviária, como eu não tinha noção da distância, e na Índia quando eles levam estrangeiros nos tuc-tuc normalmente eles cobram preço fechado, paguei mais ou menos R$15,00, o que é bastante coisa! Mas eu precisava tentar!

Encontramos o ônibus, eu precisei olhar umas duas vezes para entender que aquilo era realmente um ônibus. Sentei no que parecia ser um banco, e com meus quase 1.80m de altura, fiquei com os joelhos colados no peito! E pela distância eu imaginei que aquela tortura duraria no mínimo umas 5horas.

Estava certa, mas para resumir e ir para a parte boa, em umas 6 horas já estava em Vrndavana, no Templo sentanda ao lado do Maharaj, ou Márcio Yaat, o coordenador deste local tão sagrado e especial. Tomei um belo banho para tirar as penas de galinha que estavam grudadas na roupa, vesti meu Sari e mergulhei de peito aberto nesta nova experiência!

Foram 6 dias de muitas conversas, momentos inesquecíveis. Vrndavana realmente não é um lugar para você explorar sozinha (na minha opinião), é um lugar intenso; muito intenso. Maharaj dizia que tudo que é feito ou desejado lá se multiplica em mil! Se você medita, sua meditação atingirá um grau muito mais elevado, se você vocaliza mantras, seus mantras irão refletir muito mais intensamente dentro de você! E é a mais pura verdadade, estava realmente num lugar sagrado e pude sentir uma vibração muito diferente.

São mais de 500 templos espalhados pela cidade, e alguns devotos realizam procissões ao redor da cidade descalços, honrando e respeitando o lugar como se a cidade toda fosse um grande templo. E diferentemente de como eu havia imaginado, os moradores de lá são devotos de Radha, não de Krishna. Por onde você passa vai ouvir alguém gritando: Radhe!Radhe! Hari Bol!!! É incrível!

Conheci templos muito bonitos, e extremamente especiais. Participei de uma cerimonia sagrada (Arati) na beira do Rio Yamuna, foi algo muito emocionante que eu já mais vou esquecer!

Fiz um passei de Bike com o Maharaj e ele me mostrou vilarejos e outros locais menos turísticos, onde pude ver realmente como é a vida de quem mora numa cidade sagrada. O tempo todo cruzamos com devotos das mais diferentes linhas, milhares deles, fazendo suas procisões e adorando seus Deuses. Durante o Kumbha Mela que é um dos maiores festivais religiosos do mundo, os devotos passam por Vrndavana e vão ao encontro do local onde o Ganges, Sarawasti e o Rio Yamuna se encontram. Quem sabe daqui 4 anos não posso estar lá!!!

Aprendi muito, ouvi belas histórias sobre o Bhavagad Gitta, um repertório de passagens lindas, que tanto tem a nos ensinar. Aprendi sobre politica, ética, costumes, cultura e religião através da visão de um devoto que dedicou a sua vida para seguir com trabalho do seu mestre, Srila Bhagavata Bhusana Guru; um grande estudioso e um professor por natureza! Maharaj, muito obrigado por me proporcionar esta viagem incrível, espero que em breve você escreva todas as suas histórias e que possamos divulgar para o mundo todo as experiências mágicas que você viveu! Obrigado por esta oportunidade de me fazer viajar para dentro de mim mesma!

Eu recomendo a quem quiser ter uma experiência totalmente diferente visitar este lugar, mesmo com todo o lixo que vi, toda a sujeira espalhada pela cidade (quem foi pra Agra pode ter uma idéia mais ou menos de como são estes locais) coloque Vrndavana na sua lista de lugares para conhecer antes de morrer, ou de desencarnar, deixar o corpo físico, trocar a dimensão...

Radhe! Radhe!

Seguem algumas fotos deste lugar tão especial!




Pelas ruas...



Vacas e macacos...




Lindo!



Entrada do mercado.




Cerimônia no Rio Yamuna, céu cor de rosa e meu coração transbordando de alegria!




Meu grande amigo, Maharaj! Despedida do Templo, com a proteção do Guru Srila Bhagavata Bhusana; para me acompanhar no retorno à Coimbatore!